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Artigo de 04/01/2010
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O FAROL DOS NOVOS
TEMPOS
Voz do Pastor de Dom Dadeus Grings
Diante dos sinais dos tempos, que apontam para algo novo e,
mais radicalmente diante das crises do nosso tempo, que mostram a superação do
velho, com perspectivas novas, que nos cabe fazer? Podemos, com Bento XVI,
concretizar tudo numa tríplice atitude: recordar, com gratidão o passado;
viver, com paixão, o presente; - abrir-nos, com confiança, para o
futuro. A pedagogia conheceu três potentes instrumentos
para a educação do povo: inicialmente descobriu a bússola para indicar o
caminho; depois viu-se forçada ao uso do radar, para precaver-se contra os
recifes; e finalmente plantou faróis para visibilizar o percurso. Ou, em
palavras mais realistas, antigamente, se apontava a meta. As pessoas se
dispunham, com ânimo, a percorrer o caminho traçado; depois tornou-se necessário
advertir acerca dos perigos. Encheu-se o trajeto de proibições, para evitar
desvios de conduta e deslizes; por fim se notou que não basta nem indicar a
meta, nem advertir acerca dos desvios, mas é preciso acompanhar, de perto cada
um, através do testemunho e da acolhida. Juntos chegaremos à meta. O farol é
Cristo, que se torna presente, de muitos modos, entre nós, particularmente
através da acolhida fraterna, da Eucaristia, da comunidade, da leitura de sua
Palavra. A V Conferência do Episcopado latino-americano e
caribenho, realizada em Aparecida, em maio de 2007, enveredou por um novo
caminho na promoção do bem comum. Não privilegia mais o "não" aos diversos
sistemas e às diversas praticas, consideradas contrárias à verdade, à bondade e
à unidade, que caracterizam o ser, mas procura desenvolver exatamente estas três
propriedades transcendentais de modo positivo. Comprova que não adianta
praguejar contra as trevas, como não resolve nada combater o mal e a mentira. É
preciso acender uma luz, o que equivale a promover a verdade, a bondade e a
unidade. Não se requerem grandes e espalhafatosas atitudes. Bastam as ações
boas e verdadeiras de cada dia. Não se aposta mais no confronto, para condenar
as posições adversas, mas se promove o diálogo, acolhendo tudo o que há de
verdadeiro, de bom que possa levar à unidade. O Papa Bento
XVI, com suas encíclicas, traça o caminho da promoção do bem comum: destaca, na
primeira, o amor, que definimos como essência da vida cristã; e, na segunda, a
esperança, que abre perspectivas otimistas, e na terceira a globalização. Sem
amor não se convive e sem esperança não se caminha. Olhando o futuro, com os
olhos da fé, que leva ao amor, enxergamos longe. Chegamos à eternidade. Nesta
perspectiva percebemos, com S. Paulo, que o tempo presente tem um peso de
eternidade. O jovem que, no Evangelho, foi procurar às
pressas, Jesus, para lhe perguntar sobre o que deveria fazer para possuir a vida
eterna, queria, na verdade, um esclarecimento acerca da autenticidade da
vida. Queria saber o que fazer para que sua vida tivesse sentido. Isto, na
verdade, só se descobre na perspectiva da eternidade. Transcende o espaço e o
tempo. Está bem acima do tem estar temporal. Leva a viver como se visse o
Invisível. Só nesta perspectiva se percebe o sentido de tudo o que acontece, ou,
como diz S. Paulo, sente-se que tudo colabora para o bem dos que amam a
Deus.
Feliz Ano Novo, com muita paz e com as bênçãos de Deus!
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Colunista Dom Dadeus Grings
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