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Artigo de 19/02/2010

UMA SOCIEDADE RECONCILIADA
                     
Voz do Pastor de  Dom Dadeus Grings

O ser humano, dotado de inteligência, vontade e sentimentos, tem uma trajetória cheia de tropeços. Os maiores problemas, bem como os melhores momentos de sua vida se encontram na convivência. Ninguém vive a sós.
Necessariamente convive. Deve, por isso, não só construir sua própria vida mas, acima de tudo, necessita desenvolver sua convivência. Conhece pessoas e forma amizades. Sua felicidade se encontra no relacionamento carinhoso das pessoas queridas. Além das relações primárias, que podemos expressar pelo tu-a-tu, ou olho no olho, cultivamos relações secundárias, institucionais e avançamos para relações virtuais. Não só vivemos em comunidade, na família e no bairro, mas também convivemos em sociedade. Ali, ao longo dos tempos, caminhamos para uma organização cada vez mais aprimorada, de acordo com os anseios de todos. Falamos da necessidade da promoção do bem comum. Ele é tão necessário como o ar que respiramos. Mas é obra nossa. Daí a necessidade de nos conscientizarmos de como nos organizamos em sociedade. É o tema candente da política. Nossa caminhada no tempo, porém, não é homogênea. Temos altos e baixos. Diz-se que a História é a mestra da vida para significar que devemos aprender com a experiência. Aquilo que se demonstrou nocivo deve ser evitado e o que se comprovou proveitoso deve ser acolhido. Até os animais aprendem com a experiência. Não por nada corre o provérbio que"gato escaldado até de água fria tem medo".Com nossa inteligência podemos não só acolher as experiências próprias como também aprender com as lições do passado. Colocamos um ideal a ser atingido. Procuramos então os meios, mais na pratica que na teoria.
Sabemos, mais ou menos, o que vai dar certo e nos conduz à meta almejada e o que dará errado, desviando-nos da rota. Esta meta, que brota do anseio mais profundo do coração humano, é a paz. Podemos defini-la como a saúde da sociedade. Retrata a harmonia entre todos os seus membros e organismos. Seu contrário é a guerra, retratada pelo símbolo da doença. Faz sofrer todo o organismo social. Há momentos tensos na sociedade, assim como se verificam doenças nos organismos vivos. Urge então encontrar remédios. Não se resolvem os conflitos com  força, sufocando aspirações e oprimindo pessoas. Quando as tensões explodem não basta reprimi-as. É preciso buscar a reconciliação. Esta só se encontra pelo perdão mútuo, a ser pedido e dado. Quando, muitas vezes após graves dissabores, as partes decidem, num certo contexto de tensões, fazer as pazes, reconciliando-se, significa que se decide por uma pedraencima das desavenças do passado. Declara-se assunto encerado. Não se fala mais. Nem para reivindicar eventuais direitos nem para exigir punições por assim dizer póstumas. Enterrou-se o assunto. Só assim se poderá recomeçar com pensamentos de paz, para reconstruir uma sociedade solidária e  sacificada. Estamos no plano da misericórdia, que supera a justiça e leva à reconciliação.

 

Colunista Voz do Pastor de Dom Dadeus Grings

 

 


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