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Artigo de 08/03/2010

                                           Palavras da Atualidade 
                               UM TESTEMUNHO DE SOLIDARIEDADE
                                  Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre

 As notícias do terremoto do Haiti certamente foram alarmantes e chocantes.  Mais consoladora e animadora, porém,  foi a resposta de solidariedade, de compaixão, de humanismo que o mundo inteiro deu. É sinal de que a humanidade não está perdida nem totalmente corrompida. Não perdeu seus valores fundamentais e seus sentimentos. Há, pois, uma lição a ser tirada deste acontecimento.
 Em primeiro lugar estão as vítimas. Lembramos D. Zilda Arns que, ali, coroou sua trajetória de amor e solidariedade aos mais carentes, particularmente às crianças e aos idosos. Mas não trabalhava sozinha. Montou, junto à CNBB, um vigoroso organismo que empenha mais de duas centenas de milhares de voluntárias no atendimento às crianças e famílias mais carentes. Sua dedicação reduziu drasticamente a mortalidade infantil e proporcionou vida melhor a muitíssimas pessoas.  D. Zilda chegou, no Haiti, ao ápice de sua dedicação, dando sua vida pela causa que abraçou. Mostra o rosto de Deus, em quem acreditou. Sua obra continua. Certamente será contada entre as santas da Igreja, que viveram, com heroísmo, o Evangelho, onde sempre buscou inspiração e força. Uma leiga, casada e mãe de família, descobriu e seguiu sua missão no mundo. Junto a ela morreram muitas pessoas empenhadas na mesma causa. A elas nossa homenagem e por elas nossa prece.
Em segundo lugar estão os novos voluntários que a catástrofe suscitou. Comove ver como pessoas de todos os países se dispõem a deixar tudo para ir, pessoalmente, em socorro das vítimas. Muitos enviam  socorro, mas muitos também se dispõem a ir com o auxílio de sua dedicação e especialização. São os novos missionários da humanidade. É comovente ver a movimentação e a disponibilidade  de nosso Exército, de nossos enfermeiros e médicos, de nossos assistentes sociais. Enfim de todas as pessoas, voluntárias ou encarregadas pelas respectivas organizações, que oferecem seus préstimos às vítimas.
Em terceiro lugar é preciso considerar o acontecimento em si, que leva à colaboração. Não armas, mas comida; não concorrência, mas integração; não disputa mas somatório de esforços.
Em quarto lugar está a necessidade da organização. O povo sempre é bom, mas é preciso organizá-lo para que consiga sair de suas crises. A ajuda humanitária se deve pautar pelo princípio da subsidiariedade.Agora é o momento de dar: momento da misericórdia, da solidariedade, da compaixão. Mas  é apenas o primeiro passo. Tudo urge. É preciso salvar vidas, Vem, depois, o segundo passo: ajudar a que este povo se organize e consiga caminhar com suas próprias forças: torne-se adulto e democrático.

Colunista Dom Dadeus Grings

 

 


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