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Notícia - 09/03/2010
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Carta do 13º Encontro Nacional
de Presbíteros
Estimado Irmão Presbítero! 1. Itaici - Indaiatuba (SP)
-, local emblemático para a Igreja no Brasil, transformou-se de 03 a 09 de
fevereiro de 2010, num grande cenáculo com 466 presbíteros vindos das Dioceses
do Brasil, vários bispos e convidados, para celebrar o Jubileu de Prata de
nossos Encontros Nacionais de Presbíteros, no contexto do Ano Sacerdotal, por
ocasião do sesquicentenário da páscoa definitiva de São João Maria Vianney, o
Cura d?Ars. É o 13º ENP com o lema místico e significativo para todos os que
querem ser seguidores do Mestre: "Eu me consagro por eles" (Jo 17,19a). Nessa
perspectiva de consagração, quisemos celebrar e fortalecer nossa comunhão
presbiteral. 2. Às vezes, caro irmão, tem-se a impressão de que tudo já foi
dito e, por isso, nossos Encontros Nacionais podem não apresentar o mesmo elã
dos anteriores. O 13º ENP, porém, nos deu a alegria de percebermos o quanto
podemos nos fortalecer entre nós presbíteros e, sobretudo, na missão eclesial,
em profunda comunhão com nossos irmãos(ãs) leigos(as), com nossos pastores e com
o sucessor de Pedro. 3. Nesses encontros nacionais, vivemos a oportunidade
única de contemplar, em tempo e espaço tão curtos, uma variedade imensa do ser
presbítero da Igreja no Brasil. No primeiro, éramos delegados de 13 mil
presbíteros e, nesse 13º ENP, representamos mais de 20 mil irmãos de ministério,
espalhados pelo nosso querido Brasil. Irmãos nossos que gastam até duas horas de
barco para atender uma das comunidades mais próximas de sua paróquia; outros que
vivem imersos na complexidade dos grandes centros urbanos, nas suas sofridas
periferias; muitos estão em pequenas cidades do interior desse país-continente;
há também os que se dedicam à formação dos novos presbíteros ou ao mundo
acadêmico; cresce o número dos padres afrodescendentes e de origem indígena.
Constata-se um número sempre maior de irmãos padres que se dedicam ao mundo da
comunicação e às coordenações pastorais. Enfim, a identidade do presbítero,
hoje, passa pela multiforme maneira de exercer o ministério, nas mais diversas
realidades. 4. Fazendo memória dos 25 anos dos ENPs, lembramo-nos dos temas
transversais que nos desafiam e perpassam esse quarto de século de nossa
caminhada: discernimento a partir da realidade, prioridade da evangelização,
modelos de Igreja, orientação do magistério, identidade presbiteral, novo
estatuto social do sacerdote, o ministério específico, a mística e a
espiritualidade e a missão. Nesse 13º ENP, ajudados pelo nosso irmão Pe. Paulo
Suess, sentimos, na ótica da Conferência de Aparecida, o apelo a abrir nossas
paróquias à missionariedade, saindo de uma teologia da metafísica rumo à
teologia trinitária da relação, harmonizando pluralidade e unidade, na
perspectiva da contraculturalidade do evangelho e do resgate da profecia. 5.
O assessor nos ajudou a perceber como podemos nos tornar presas fáceis do
processo de aceleração imposto pela mentalidade neoliberal. Tudo se apresenta
como tão urgente que terminamos por não discernir o que realmente tem urgência.
E, nesse mesmo espírito neoliberal, somos tentados a mergulhar num processo de
consumismo e de acumulação sem sentido que, além de esvaziar o núcleo humano de
todos nós, termina por afetar todo o ecossistema. Fomos, durante nosso encontro,
desafiados a buscar o essencial da missão para, com coragem e
profetismo, desencadearmos, entre nós, um real despojamento de tudo o que é
supérfluo e que fomos agregando na vivência de nosso ministério. 6. No 13º
ENP, emergiu ainda o anseio de definirmos melhor nossa identidade de
presbíteros, no prisma do sacerdote elementar que, segundo Pe. Paulo Suess, é,
hoje, mais necessário que o dotado de dons extraordinários. O sacerdote
elementar é o presbítero do bom senso, teologicamente perspicaz, bem informado e
inteiro; livre no acolhimento de sua vocação e no seguimento de Jesus Messias;
contemporâneo com o povo que carrega um fardo pesado e com todos que buscam um
sentido na vida; traz consigo uma eclesiologia da missão que o faz ir ao
encontro das pessoas. É o presbítero que fundamenta sua relação e vivência com o
povo no seu encontro pessoal com Cristo missionário. É o homem de vivência
eucarística e de comunhão eclesial, que entrega sua vida, sobretudo aos pobres e
oprimidos, sabendo que só Deus basta, vivenciando, assim, o primado da
graça. 7. Por meio do Pe. Joel Portella, percebemos ainda que a aceleração e
a acumulação fazem parte da construção de um novo ethos, engendrado na cultura
atual de mudança de época, que recompõe a hierarquia dos principais elementos
que constituem e interpelam a vida. Tal recomposição na pós-modernidade, afirmou
o Pe. Joel Portellla, gira em torno do papel que se atribui ao sujeito
individual, como base para um novo pensar, sentir e agir. A exacerbação do
individual, própria de uma subjetividade fechada, só será enfrentada pela força
do valor evangélico da gratuidade. Gratuidade como marca de um estilo de vida e
de novas relações humanas. Nessa perspectiva, fomos interpelados a construir um
novo ethos, conscientes de que, nessa mudança de época, a Igreja tem seu lugar
social mudado, como também mudou o lugar social do presbítero. Mas, nada de
ficarmos lamentando o lugar mudado ou perdido, pois importa reconhecer que as
mudanças de época são períodos profundamente libertadores para a construção do
Reino. 8. De maneira muito madura, os presbíteros vêm percebendo o quanto é
atual a afirmação do Papa João Paulo II: "O ministério ordenado tem uma radical
forma comunitária e pode apenas ser assumido como obra coletiva" (PDV 17). Nesse
sentido, o 13º ENP fortaleceu, em nós, a convicção de voltar às Igrejas
Particulares com a missão de dinamizar a pastoral presbiteral. Vimos, com
alegria, que ela cresce e se organiza, cada vez mais, por todo o território
nacional, com belos exemplos de solidariedade, principalmente em relação aos
presbíteros idosos, jovens e aqueles que assumem paróquias mais pobres e
distantes. Essa pastoral vem se constituindo num instrumento valioso de comunhão
presbiteral e predispondo os padres para um mais fecundo exercício do pastoreio.
O padre bem integrado no presbitério enfrenta com audácia e alegria os desafios
da missão, pois sabe que não está só. O Decreto Conciliar Presbiterorum Ordinis
centra na caridade pastoral o ministério presbiteral, por isso, ela se configura
a alma e a forma da pastoral presbiteral (cf. DAp 70). Essa caridade pastoral é
o eixo para o agir do presbítero, que se torna, por meio dela, instrumento do
Espírito na história e, a exemplo de Jesus, homem consagrado ao povo que lhe é
confiado. É a caridade pastoral a maneira proposta pela Igreja aos presbíteros
para a sua missão de anunciadores do Reino. 9. O 13º ENP também foi marcado
pelo espírito das palavras do Papa Bento XVI que nos convoca a um encontro
pessoal com Cristo. Afirma o Santo Padre que ser cristão não se reduz a uma
decisão ética ou adesão a uma grande ideia, mas através do encontro com um
acontecimento, com uma Pessoa, que dá novo horizonte à vida e, com isso, uma
orientação decisiva. E Aparecida nos lembra que a própria natureza do
cristianismo consiste em reconhecer a presença de Jesus Cristo e segui-lo (cf.
DAp 243-244). Tudo isso ganha um sentido ainda mais contundente para nós que
fomos chamados a viver o ser cristão de forma radical, como ministros
ordenados. 10. Percebemos, com a ajuda do Pe. Estevão Raschietti, que ser
missionário passa pelo insubstituível tempo de discipulado junto do Mestre, pois
não anunciamos conceitos, mas uma Pessoa, que se fez Carne e habitou entre nós,
com a qual precisamos nos encontrar ao longo de toda a nossa existência.
Comunhão e missão se tornam, nesse contexto, o binômio por excelência para a
vida e ministério de todos os presbíteros, convidados a estarem sempre
disponíveis para ir ao encontro das pessoas afastadas e comunidades distantes.
Essa missão se faz desafiadora no seu contexto próprio ad gentes, nos difíceis
ambientes das grandes metrópoles e em outras regiões. Mereceu grande destaque
entre nós o desafio missionário na Amazônia, da qual muito se fala e pouco se
conhece. Nesse sentido, foi feito um grande apelo para uma presença mais
significativa dos presbíteros de outras regiões do país junto ao povo
amazônida. 11. Tudo o que se ouviu foi rezado, meditado e contemplado nos
vários momentos celebrativos e no retiro espiritual, orientado pelo Cardeal D.
Odilo Pedro Scherer. Tempos de profunda vivência do mistério da comunhão com
Jesus Cristo e com toda a Igreja, sobretudo na Eucaristia, onde a memória de
nosso compromisso ministerial se fazia presente em cada prece e em cada canto,
chamando-nos a viver decididamente como presbíteros animadores das comunidades
de discípulos-missionários. Em outros momentos, tais como nas oficinas,
plenários e trabalhos de grupo, os temas foram também debatidos. 12.
Recebemos inúmeras mensagens de irmãos e irmãs que nos acompanharam por meio de
orações e dentre elas destacamos a de Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo emérito
de São Paulo, de Dom Pedro Casaldáliga, Bispo emérito de São Félix do Araguaia,
de Dom Alberto Taveira, Arcebispo eleito de Belém, do Departamento Vocações e
Ministérios do CELAM e de Dom Cláudio Hummes, Prefeito da Congregação para o
Clero. Dom Cláudio, em sua mensagem, nos lembrou repetidas vezes de que os
presbíteros devem ser homens de oração e o fez com veemência, afirmando: "Não
nos iludamos: se falta a oração pessoal na vida do presbítero, sua ação pastoral
será estéril e correrá o risco de perder de vista o "primeiro Amor", ao qual
entregou incondicionalmente sua vida, naquele dia memorável e cheio de
generosidade, o dia da sua ordenação sacerdotal." 13. Caro irmão, para
reforçar nossa alegria no seguimento de Jesus Cristo, nos fizemos romeiros e,
reunidos na Eucaristia, entusiasticamente presidida por Dom Geraldo Lyrio Rocha,
presidente da CNBB, no Santuário Nacional de Aparecida, pusemo-nos sob o manto
de Nossa Mãe para nos comprometermos com seu Filho, construindo um novo ethos,
com bases sólidas na profecia e gratuidade, sabendo que a fé cristológica traz
implícita a opção preferencial pelos pobres, como tão bem nos lembrou o Papa
Bento XVI. Da celebração do 13º ENP saímos mais convictos de que a nossa
configuração a Cristo, Bom Pastor, permite-nos somar a nossa vida a d?Ele e
dizer: "Eu me consagro por eles".
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