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Esta santa foi muito popular na
idade média como padroeira dos dentes, ou melhor, contra as dores de dente
e conseqüentimente dos dentistas. O que se sabe de certo sobre Apolônia é
o que escreveu numa carta o bispo de Alexandria, Dionísio.
Nos
últimos anos de governo do imperador Felipe,o árabe (244-249),
pessoalmente favorável aos cristãos, houve uma revolta popular na cidade
de Alexandria, no Egito, contra os cristãos, açulada por um adivinho. O
massacre que se seguiu durante a revolta ceifou muitas vidas de cristãos.
No seu furor, os pagãos não pouparam nem os mais fracos. Então escreveu o
bispo: "Todos se lançaram sobre as casas dos cristãos. Cada um entra na
casa daqueles que conhece na sua vizinhança. Saqueia e devasta, levando
embora, nas dobras dos vestidos, todos os objetos preciosos, lançam por
terra ou queimam as coisas sem valor. Dirse-ia uma cidade tomada e
saqueada pelo inimigo... Os pagãos, depois, tomaram a admirável virgem
Apolônia, já avançada em idade, golpearam as suas mandíbulas e lhe
arrancaram os dentes. Depois, tendo aceso o fogo de uma pira fora da
cidade, ameaçaram atirá-la nela viva, se não pronunciasse juntamente com
eles palavras ímpias. Ela pediu para ser deixada livre um instante. Foi
atendida e saltou rapidamente no fogo e foi consumida". O episódio teria
acontecido na ano 249.
Apolônia deve ter nascido no princípio do
século III ou nos últimos anos do século II, porque o texto de Dionísio
afirma que já era avançada em anos quando aconteceu o fato. A sua vida
tinha sido irrepreensível, digna de toda admiração. A sua conduta exemplar
deve ter suscitado a ira dos pagãos. O fato de ela ter-se atirado no fogo
não causou admiração nas palavras do seu bispo, mas o assunto foi muito
discutido em tempos posteriores. O fato deve ter causado admiração não só
nos pagãos mas também nos cristãos. O culto de Sta. Apolônia, como
protetora dos dentes, foi muito difundido. |