DOM DARLEY KUMMER

02/04/2020

A vida é bela!

A exemplo de todos, eu também estou tendo mais tempo para pensar. Nestes momentos, surgem preocupações com a situação que vivemos, mas também se revelam alegrias e esperanças. Um dos frutos que colhi dias atrás foi a inspiração do “Tarde Te Amei”, dos escritos das confissões de Santo Agostinho, no Capítulo X. Recordei vários encontros e situações da vida e de como nós a estamos cuidando.


Assim nos diz o trecho: “Tarde Te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava, disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que Criastes. (...) Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez.

Brilhaste, resplandeceste, e a Tua luz afugentou minha cegueira. Exalaste o Teu perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu Te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!”


Estes são dias nos quais dispomos de mais oportunidades para refletir e avaliar se nossas atitudes estão mesmo humanizadas. Começando por um zelo por nós mesmos. Neste momento, convido-te a entrares em tua beleza interior e procurar a verdade contida. Depois, com ela, e de uma forma livre e corresponsável, participares com mais ênfase de movimentos que te levem a olhar o outro.


O meu exercício de olhar para dentro revelou que somos únicos diante da beleza da vida. Beleza esta que está em todos. Se não reconhecemos isso, corremos o risco da autossuficiência, que pode levar à insatisfação, aos vazios existenciais, que nos afastam justamente do encanto pela vida.


Em sua voz interior, a vida clama por um minuto de atenção, para que percebamos que não somos uma ilha, mesmo em nossa beleza. Ela nos convida a perceber as pessoas que estão junto de nós, mesmo que apenas virtualmente próximas neste momento. A distância, afinal, não é um empecilho para nos sentirmos próximos uns dos outros.


Se no mundo exterior a nós, há preocupações, solidão, desencontros, necessidade de proximidade; precisamos buscar em nossa linha do tempo as mais belas recordações e momentos vividos juntos, para que eles alimentem em nós o desejo do momento futuro. Precisamos reavivar em nós as memórias felizes, os princípios das relações familiares, das amizades, dos bons costumes, que haverão de retornar em breve.

Precisamos nos lapidar neste tempo de reclusão, mas sempre com o olhar benevolente consigo mesmo. Só assim poderemos superar as ações incertas do cotidiano e transformá-las em novas relações humanas, afetivas e espirituais.


É hora de estarmos atentos ao que não conseguíamos ver antes, o que nos causava cegueira interior e exterior. Olhar para isso agora dará sentido às novas buscas daquilo que jamais havíamos sentido ou almejado antes.


Respirar é preciso! Sentir e ampliar a visão ao contemplar o horizonte que não nos afugenta e muito menos nos ignora, porque nos quer ver bem e cuidadosos uns com os outros. Ele nos encara com a luz da esperança, onde juntos poderemos reconquistar a beleza de tudo e de todos. Um horizonte que jamais se extinguirá.


Somos peregrinos na esperança, que caminham sem medo, com vontade de ousar e transcender na experiência espiritual que a vida nos ensinou. É preciso sentir e olhar com o coração as pessoas próximas ou distantes, amadas ou solitárias, cuidando de cada uma. Pratique o “viu, sentiu compaixão e cuidou” dentro de suas possibilidades.


Por fim, diante dos desafios que encontramos, vamos nos apoiar, falar bem, trazer fatos e recordações boas, para que juntos possamos sentir em cada ser humano que é único e amado a missão de juntos vivermos a civilização do amor.


Viva a vida! Ela é linda e necessitada de atitudes humanizadas.

09/01/2020

Mãe de Deus e o fundamento de sua grandeza

A contextualização da expressão “Theotókos”, de São João Paulo II que, literalmente, significa “aquela que gerou Deus”, à primeira vista pode gerar surpresa; suscita a questão sobre como é possível uma criatura humana gerar Deus. A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a geração humana do filho de Deus e não, ao contrário, a sua condição divina.
 

O filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é lhe consubstancial. Nessa geração eterna, Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há mais de dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi concebido e dado à luz por Maria.


Proclamando Maria “Mãe de Deus”, a Igreja quer, portanto, afirmar que ela é a “Mãe do Verbo encarnado, que é Deus”. Por isso, a sua maternidade não se refere a toda Trindade, mas unicamente à segunda pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana.


A maternidade é relação entre pessoa e pessoa: uma mãe não é mãe apenas no corpo ou da criatura física saída do seu seio, mas da pessoa que ela gera. Maria, portanto, tendo gerado segundo a natureza humana a pessoa de Jesus, que é a pessoa divina, é Mãe de Deus.


Ao proclamar Maria “Mãe de Deus”, a Igreja professa com uma única expressão a sua fé acerca do filho e da mãe. Portanto, a expressão “Mãe de Deus” remete ao Verbo de Deus que, na encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à filiação divina. Mas esse título à luz da dignidade sublime conferida à Virgem de Nazaré proclama também a nobreza da mulher e sua altíssima vocação. Com efeito, Deus trata Maria como pessoa livre e responsável, e não realiza a encarnação de seu Filho senão depois de ter obtido o seu consentimento.


Mãe de Deus é o maior de todos os títulos, graças e privilégios de Nossa Senhora. Este título lhe foi dado pelo próprio Deus quando a escolheu para ser sua mãe. É o fundamento de sua grandeza, de seu poder e de todos os demais títulos. Foi o primeiro a ser definido pela Igreja como verdade de fé, já em 431.


A Santa Mãe de Deus é a padroeira da Catedral Metropolitana, da Arquidiocese e do município de Porto Alegre. O Santuário Mãe de Deus, edificado no alto morro do bairro Glória, todo o dia 1º dia do ano que inicia, além de glorificar o máximo título de Maria, quer lembrar a todas as mães que a maternidade humana é a maior honra e grandeza da mulher.
 

A imagem de Nossa Senhora Mãe de Deus recebeu a benção do Papa João Paulo II no Vaticano no dia 27 de julho de 1988, e foi entronizada no nosso Santuário de Porto Alegre. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus!

13/06/2019

A missão de ser bispo

No último sábado (8), na cidade de Roca Sales (RS), recebi, com alegria, a ordenação episcopal, que é o terceiro grau do sacramento da ordem da Igreja Católica, e me concede o título de bispo. Escolhi como lema desta nova fase da minha missão “Pela graça de Deus, sou o que sou”. Desde já, estou à disposição para servir a todos, por amor à Igreja, Povo de Deus. Jesus Cristo, nosso Senhor, enviado pelo Pai para salvar o gênero humano, escolheu por sua vez os doze apóstolos, a fim de que, cheios do Espírito Santo, anunciassem o Evangelho, santificassem e conduzissem todos os povos, reunindo-os num só rebanho.

 

Por meio da vida e ministério do bispo, é Jesus Cristo que continua a proclamar o Evangelho, a distribuir aos que creem os sacramentos da fé. Por meio da solicitude paternal do bispo, é Cristo que incorpora novos membros à Igreja. Por meio da prudência, humildade e simplicidade do bispo, é Cristo que conduz o povo nesta peregrinação terrena, até a felicidade eterna. O bispo é tirado dentre os seres humanos e colocado a serviço deles nas coisas de Deus. Portanto, o episcopado é um serviço às pessoas e não só uma honra. Como bispo auxiliar, é preciso distinguir-se mais pelo serviço prestado que pelas honrarias recebidas.

 

A missão confiada é de estar junto às realidades, esperanças e desafios que vêm aparecendo na caminhada deste povo amado de Deus.

 

Como bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre, desejo colaborar com os demais bispos no que for necessário, e também seguindo as orientações da Igreja, exercendo o cuidado pela vida, a solicitude pastoral, a comunhão eclesial em vista do bem comum de toda a sociedade.

 

Muitas pessoas, nesta passagem da minha ordenação, fizeram um pedido: “que você continue sendo o guia para aqueles que estão com a vida cheia de dificuldades. Saiba que estaremos sempre ao seu lado.”

 

Agradeço a todas as lideranças civis, militares, políticas e religiosas no cuidado com a nação brasileira e, de modo especial, com o povo da Arquidiocese de Porto Alegre. Desejo bênção e paz a todos!

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Dom Darley Kummer

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