DOM DONIZETI DE SOUZA

Dom Donizeti de Souza

Bispo Auxiliar

04/06/2020

Uma sede insaciável no coração humano

Inquestionável que há um grito, uma inquietação no coração humano que perpassa todos os povos, tempos e lugares. A sensação de ausência de algo está sempre presente. É uma sede, um desejo que, quase sempre, não se compreende a razão. Em outras palavras, há uma sede de sentido mais profundo da própria vida, sede de plenitude, de paz, de alegria, que, a partir de um olhar marcado pela fé, é, na verdade, uma profunda sede de Deus. Já afirmava Santo Agostinho: “inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti”.

O ser humano precisa reconhecer e aceitar que essa sensação de incompletude é algo constitutivo do próprio ser. Tal compreensão o leva a perceber que o homem não é o senhor da verdade e nem tem resposta para muitas questões da existência humana. Eis a razão pela qual o mesmo precisa ter consciência de ser criatura imperfeita, limitada e frágil e como tal deve-se reconhecer. Em outras palavras, reconhecer-se sedento de infinito, de plenitude, de algo que o complete totalmente. Esse sentido verdadeiro da vida, sem dúvida, não será encontrado em coisas materiais ou em outras criaturas humanas. Assim sendo, essa consciência de uma sede de infinito, favorecerá abertura maior ao transcendente que, na nossa visão de fé, é o próprio Deus Criador e Redentor da humanidade.

Já dizia o salmista: “Ó Deus, tu és o meu Deus, desde a aurora eu te busco. Minha alma tem sede de ti; por ti deseja a minha carne, numa terra deserta, seca, sem água” (Sl 63). Quando a pessoa não busca em Deus a resposta para essa sede presente no coração, certamente buscará em outras fontes. Contudo, essas outras fontes, na verdade, são puras ilusões que vão aos poucos gerando um vazio existencial e levando a pessoa a perda do sentido da própria vida. É o que acontece com muitos que são apegados aos bens materiais, ao poder e também aos prazeres passageiros, acreditando que isso, sim, é viver. Sem contar que, vivendo assim, geram sofrimentos para si e, consequentemente, para tantos outros. Exemplo disso é a ganância que, muitas vezes, cega o ser humano e leva a destruição de tantos semelhantes e também do meio ambiente. E os mais pobres e já fragilizados da sociedade são sempre os que mais sofrem com isso.

Por fim, que essa experiência inusitada e exigente do COVID-19, favoreça para que cada ser humano compreenda melhor o que verdadeiramente é importante e essencial na vida e não se deixe levar pelas falsas promessas de felicidade que o mundo apresenta. Compreender o verdadeiro sentido da vida supõe aceitá-la como um dom precioso de Deus e, por isso, vivê-la com responsabilidade e zelo.

06/02/2020

O poder da palavra

Vivemos em um contexto cultural onde a liberdade de expressão é defendida como um direito fundamental do ser humano. De fato, poder se exprimir na liberdade de pensamento é, sem dúvida, algo fabuloso, mas supõe discernimento e responsabilidade pessoal, pois aquilo que se diz pode afetar positivamente ou negativamente a vida de outros. E um bom discernimento supõe também uma boa educação.

Não precisamos fazer muito esforço para percebermos o quanto discursos de algumas lideranças, sobretudo religiosas e políticas têm influenciado pessoas em nosso tempo. Conforme o conteúdo dos discursos e a forma com a qual são feitos, os impactos são profundos e vão gerando ou fortalecendo comportamentos diversos em muitos. Quando a pessoa tem um conhecimento fundamentado numa sã antropologia cristã e filosófica certamente saberá fazer juízos e formulará ideias em vista da construção de um mundo melhor onde todas as pessoas tenham uma vida mais digna. Mas se um líder “falar coisas aos ventos” sem discernimento adequado poderá favorecer o contrário. Poderá com suas palavras fomentar o ódio, a violência, a indiferença para com os mais necessitados, enfim o desrespeito para com a vida humana e também a vida do planeta. 


O fato é que todos nós somos corresponsáveis para que o mundo seja melhor.  Vale se perguntar o que queremos com aquilo que expressamos por meio das palavras ditas no cotidiano. Assim, se desejamos de fato que situações como desigualdade social, ganância, preconceito, discriminação, racismo, indiferentismo, individualismo, violência e todo tipo de guerra, bem como a perda de sentido da vida, deem espaço para um mundo melhor, mais humano, solidário e justo, onde as pessoas sejam respeitadas em seus direitos de uma vida digna e a paz possa predominar em nosso meio, precisamos cuidar bem do que falamos e como falamos. Conhecemos bem a expressão: “quem semeia vento, colherá tempestade” e, certamente, quem semeia coisas boas, bons frutos colherá. 


Até o que lemos na Sagrada Escritura se não soubermos interpretar à luz de Cristo, que veio ao mundo para salvar e não condenar (cf. Jo 3,17), poderia sofrer interpretações fundamentalistas que não favoreçam a vida digna e plena para todos, pois Cristo veio também “para que todos tenham vida e tenham em abundância” (Jo 10, 10).


Assim, que o amor a Cristo que deu a vida pela salvação da humanidade leve todos a viver a vida com responsabilidade e saber se comunicar seja na família ou na sociedade em vista do bem de todos e da restauração do meio ambiente que é nossa Casa Comum.

02/01/2020

O olhar amoroso de Deus sobre a família humana

Todos os seres humanos habitam a mesma casa comum, necessitam de alimento, de ar, de água, e, sem dúvida, de amor. Temos necessidades iguais, mas também somos diferentes e únicos, pois não existem duas pessoas totalmente iguais no mundo e com as mesmas digitais. Para nós, que acreditamos em Deus Criador, podemos afirmar que cada criatura humana é uma obra prima especial e única.


Mas como entender as dificuldades que muitos encontram para conviver com seu semelhante? Como entender a tendência presente em pessoas em querer depreciar, diminuir e não tratar com a mesma dignidade o outro? Ainda, qual a razão de tantas pessoas também ter percepção negativa de si mesmas, se diminuindo e não reconhecendo o devido valor que têm? Seria tão bom se cada ser humano pudesse perceber quão especial é e que soubesse reconhecer o outro da mesma forma. Esse reconhecimento levaria ao respeito e cuidado para com a vida, dom precioso, em todas suas etapas e circunstâncias. 


Aqui entra a importância da família como espaço privilegiado para que o ser humano possa desenvolver esse olhar positivo e amoroso sobre si mesmo e aprenda a olhar o outro da melhor forma possível. Não resta dúvida que esse olhar será iluminado se for a partir do olhar que entendemos Deus ter para com a humanidade. Ele que amou de tal modo o mundo que “quando completou o tempo previsto, enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que eram sujeitos à Lei, e todos recebemos a dignidade de filhos” (Gal. 4, 4-5). Assim, quando pais buscam educar os filhos e filhas com valores que se fundamentam no evangelho de Jesus Cristo, certamente esses serão pessoas vivendo a própria vida com sentido e saberão colaborar para que o mundo seja mais solidário e pacífico, onde se tenha maior alegria de viver e conviver uns com os outros. 


Que cresça, portanto, a fé e a esperança de que é possível construir um mundo melhor para todos. Olhando o exemplo da Sagrada Família de Nazaré, cuidemos bem de nossas famílias para que sejam verdadeiros lares onde se aprende a amar, a respeitar, a ser honesto e sensível ao que mais necessitam. Acreditamos firmemente, conforme São João Paulo II dizia, que “saem, de fato, da família os cidadãos, e, na família, encontram a primeira escola das virtudes sociais, que são a alma da vida e do desenvolvimento da mesma sociedade". (Familiaris consortio, n. 42)

16/05/2019

Modelo de virtude para todo ser humano

A reflexão dessa edição recai sobre uma figura bíblica que ocupou um papel decisivo na história da salvação, Maria, a mãe de Jesus. Ela muito tem a ensinar aos homens e mulheres de todos os tempos e lugares.

 

Mesmo sendo poucos relatos nos evangelhos se ocupando de Maria, são suficientes para vermos virtudes que todo ser humano precisa para construir uma história pessoal rica de significados. Ela é exemplo de fé, humildade, despojamento, alteridade e gratuidade no serviço ao próximo.

 

A fé é um dom que cada ser humano recebe do Criador. É uma virtude inata! Quando não depositada em Deus, será, provavelmente depositada em coisas materiais ou pessoas. Isso pode trazer serias consequências, pois a vida pode naufragar numa profunda falta de sentido existencial. Assim, entendemos a importância dessa fé ser depositada em Deus de tal forma que o mesmo seja a razão última da existência e oriente todo viver. É dessa maneira que Maria é e será sempre modelo para todos. Ela soube colocar sua vida nas mãos de Deus. Sua vontade, projetos e sonhos pessoais foram substituídos unicamente pelo projeto de Deus. O “faça-se em mim segundo tua vontade” atribuído a ela, nasceu do coração e determinou toda sua história de vida. Essa atitude de entregar-se a Deus pela fé é um imenso despojamento de si mesma para viver em função da vontade do mesmo.

 

Outra virtude em Maria que merece a devida atenção é sua humildade. Ela se assume como “a serva do Senhor”. Indiscutivelmente, essa virtude é muito valorizada na sociedade. Basta vermos como que algumas figuras históricas são apreciadas pela humildade vivida. Exemplo disso vemos em São Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce. Na mesma direção temos ainda o Papa Francisco que, com palavras e gestos de profunda humildade, contagia a muitos. Certamente, todos eles se inspiraram muito em Maria.

 

Por fim, falar de Maria é falar de alteridade e gratuidade no serviço aos outros. Ela soube estar totalmente aberta a Deus e também ao próximo. Dois relatos bíblicos que refletem fortemente isso é a atitude de Maria para com Isabel, que se encontrava grávida, e no relato do casamento em Caná da Galileia, quando faltou vinho. Em Maria, encontramos fortemente essa sensibilidade e solidariedade em favor dos outros. Gestos como esses, sem dúvida, precisamos ver mais presentes no mundo de hoje, tempo em que cresce a insensibilidade e a indiferença frente ao sofrimento alheio.

31/12/2018

Campanha da Fraternidade 2019: uma reflexão sobre as políticas públicas no Brasil

No desejo de fortalecer mais a fraternidade e solidariedade entre todas as pessoas, há várias décadas, a Igreja no Brasil aproveita a Quaresma, tempo especial de conversão e preparação para a Páscoa do Senhor, para o lançamento da Campanha da Fraternidade. O que ela busca é aprofundar um tema que favoreça a conversão pessoal e social de maneira que nos prepare melhor para a Celebração do Mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

O tema da Campanha da Fraternidade para esse ano de 2019 é "Fraternidade e Políticas Públicas" com o seguinte lema: "Serás libertado pelo direito e pela justiça" (Is. 1,27). O objetivo geral dessa CF, conforme o texto base da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), é “estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade”. Alguém até poderia questionar o que tem a ver esse tema com a Quaresma e, sobretudo, com a Páscoa do Senhor. A resposta seria a partir da compreensão que temos do Mistério Pascal de Cristo. Sua paixão e morte foi consequência de uma entrega sem dúvida à vontade do Pai. Essa vontade está bem clara no evangelho de João, quando Jesus afirma: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Muitos, sobretudo as autoridades religiosas e políticas da época, não acolheram a proposta de Jesus e o condenaram à morte e morte de cruz.

Portanto, quanto mais uma pessoa compreende a mensagem de salvação de Jesus, e busca viver a partir dessa mensagem, vai buscar crescer como verdadeiro discípulo Dele. Da mesma forma que Jesus fez de sua vida uma doação para que todos alcançassem a verdadeira vida, o discípulo nos dias de hoje vai procurar também usar todos os meios para promover e defender a vida de todos e, especialmente, daquela pessoa cuja vida esteja desfigurada pelas situações de pecado e injustiças sociais. A participação consciente e ativa nas Políticas Públicas é uma forma concreta para, à luz da fé, viver como verdadeiros discípulos missionários de Jesus no mundo de hoje.

08/11/2018

Educar-se para a solidariedade

Já ouvimos o dito popular que “o pouco, com Deus, é muito; e o muito, sem Deus é pouco”. Essa expressão que, possivelmente, já saiu de nossos lábios nos reporta ao Evangelho que será parte da liturgia do próximo fim de semana onde traz presente a figura de uma mulher que sabe, em sua pobreza, oferecer “tudo que possuía para viver” (cf. Mc 12,44).

É fato que vivemos num mundo materialista, consumista e individualista. Infelizmente, cresce um indiferentismo diante do sofrimento alheio. A própria vida humana tem pouco ou nenhum valor para muitos. Na verdade, a vida entrou na dinâmica da cultura do descartável. Mas é fato também que nos deparamos com muitos gestos generosos de solidariedade para com os mais pobres e sofridos. Seria muito bom que o ser humano espontaneamente desenvolvesse essa sensibilidade para com o outro e soubesse viver a partilha como algo natural. Contudo, não é o que acontece, pois isso supõe famílias que sejam movidas por valores altruístas onde dedicar-se generosamente ao bem do outro predominasse nos relacionamentos cotidianos. A questão é que precisamos combater e superar a globalização da indiferença que toma conta de nossos corações.

A exemplo da viúva, conforme o Evangelho de São Marcos, que se encontrava no Templo e soube dar um testemunho de generosidade, provocando elogios da parte de Jesus, podemos também recordar pessoas, que no nosso tempo, também contagiam positivamente com gestos gratuitos e generosos em favor dos mais necessitados. Dentre tantas pessoas, lembro com carinho de nossa saudosa Dra. Zilda Arns Neumann, médica pediatra e sanitarista brasileira, que faleceu em Porto Príncipe, Haiti, no dia 12 de janeiro de 2010, durante uma palestra sobre seu trabalho na Pastoral da Criança. Seu testemunho de doação e amor para com os mais necessitados deixou uma profunda marca de Deus tanto para a Igreja como para toda a humanidade.


Ainda, é significativo lembrar que o exemplo e testemunho será sempre a melhor forma para educar ou educar-se para a solidariedade. Diante disso, outra figura que vem contagiando a muitos é o Papa Francisco que, com simples gestos e palavras, vai mostrando como viver segundo os ensinamentos de Jesus Cristo. Seus gestos de amor e solidariedade para com os mais pobres e fragilizados calam fortemente em muitos corações. Mas, basta também olharmos ao nosso redor para vermos que muitos católicos e não católicos, cristãos e não cristãos estão realizando muitos projetos voltados para a defesa e promoção da vida dos que mais precisam. É louvável ver pessoas preocupadas com os moradores de rua, pessoas dedicadas aos enfermos, aos dependentes químicos, pessoas que assistem e ajudam com amor famílias em situações de vulnerabilidade social e tantos outros grupos que temos e necessitam de atenção especial.

Que possamos, portanto, deixar-nos ser educados por tantos bons exemplos na história em vista da construção de um mundo mais humano, solidário onde todos tenham acesso aos direitos de uma vida digna conforme o projeto de Deus.

11/10/2018

Façamos tudo o que Ele nos disser

Em um mundo marcado fortemente pelo secularismo, onde a religião deixa de ter importância para muitos e o próprio Deus vai sendo descartado de tantos espaços e corações, precisamos nos questionar sobre como vivemos nossa própria fé e, acima de tudo, como a transmitimos aos outros. Transmissão essa que se faz com palavras quando necessário, visto que o testemunho de vida será a melhor forma para transmiti-la.

 

Dentro dessa questão fundamental do viver uma fé sólida e verdadeira em Jesus e transmiti-la é que podemos falar sobre expressões religiosas existentes no mundo em que vivemos. Para que uma expressão religiosa seja verdadeiramente cristã é preciso que a mesma esteja fundamentada na boa nova do Evangelho e na pessoa de Jesus Cristo. E não temos como viver uma fé cristã verdadeira fora da vida em comunidade. Lembremos o que Jesus disse: "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18, 20).

Voltando a falar sobre expressões religiosas ligadas a fé cristã, lembremos que tudo o que não leve a viver uma profunda intimidade com Jesus e a amar concretamente o próximo, sobretudo pobres e marginalizados, não corresponde ao Evangelho. Disse Jesus: “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). Não faltam exemplos na história de pessoas que viveram essa profunda comunhão com Deus por meio de uma entrega radical ao seu projeto de vida, doando-se totalmente em favor dos outros. Dentre tantos exemplos, Maria ocupa um lugar todo especial. Ela soube entregar-se totalmente à vontade de Deus em vista da salvação da humanidade. Eis a razão pela qual, nós católicos, a veneramos e a chamamos como “bendita entre todas as mulheres”.

 

Assim sendo, toda devoção, respeito e amor que demostramos para com Maria a quem temos como Mãe de Jesus e nossa, é fruto dessa convicção de que a mesma foi escolhida por Deus em vista da realização de sua promessa de salvação da humanidade. Aquilo, portanto, que acompanhamos, especialmente nesses dias em Aparecida do Norte, junto ao Santuário dedicado a ela com o título Nossa Senhora Aparecida, além de ser expressão desse amor e respeito que ela merece é também oportunidade para que muitos cresçam na fé e no compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo.


Que as palavras “fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5), proferidas por Maria nas bodas em Caná, continuem sendo acolhidas por nós e, assim, sejamos instrumentos nas mãos de Deus para que a transformação necessária, segundo o Evangelho, aconteça nas famílias e na sociedade.

09/08/2018

O Evangelho da família, alegria para o mundo

A Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil, por meio da Conferência Nacional dos Bispos, busca cumprir a missão confiada pelo Senhor, evangelizando sempre em comunhão com o Papa e o Magistério. Evangelizar é a missão da Igreja em todos os tempos, lugares e ocasiões. Nesse sentido, queremos famílias bem evangelizadas para que se tornem também evangelizadoras e, assim, cada família seja “alegria para o mundo”, conforme o tema proposto para a Semana Nacional da Família que será realizada entre os dias 12 e 18 de agosto. Essa semana é promovida pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família (CNBB) e a Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF).

 

O valor e a dignidade da família, para nós cristãos católicos, sem dúvida, se fundamentam na fé que temos em Deus, revelado como Criador e Redentor da humanidade. São João Paulo II, em sua Exortação Familiaris Consortio, já nos lembrava que “no plano de Deus Criador e Redentor, a família descobre não só a sua ‘identidade’, o que ‘é’, mas também a sua  ‘missão’, o que ela pode e deve fazer". Ainda, o mesmo afirmou que "a família tem de se tornar cada vez mais aquilo que é, ou seja, comunidade de vida e de amor, numa tensão que, como para cada realidade criada e redimida, encontrará a plenitude no Reino de Deus” (n. 17).

 

Vivendo como comunidade de vida e amor, a família será certamente Evangelho no sentido de ser boa notícia para o mundo de hoje. O Papa Francisco, na carta para o IX Encontro Mundial das Famílias que será em Dublin, na Irlanda, entre 21 e 26 deste mês, lembra que “somente a partir do amor a família pode manifestar, propagar e regenerar o amor de Deus no mundo”. Também o Papa lembra que “o matrimônio e a família recebem de Cristo, através da Igreja, a graça necessária para testemunhar o amor de Deus e viver a vida de comunhão" (Amoris Laetitia, n. 63).

 

Portanto, a partir da consciência de que a família, segundo a tradição cristã, é uma instituição divina e que tem no mundo uma missão toda especial, quero lembrar, com carinho, de todos os que se empenham em amar, cuidar, defender a família e promover seus valores fundamentais no mundo de hoje. Temos que acreditar que a família como, célula primeira e vital da sociedade, “possui vínculos vitais e orgânicos com a sociedade, porque constitui seu fundamento e alimento contínuo mediante o dever de serviço à vida: saem, de fato da família os cidadãos, e na família encontram a primeira escola das virtudes sociais, que são a alma da vida e do desenvolvimento da mesma sociedade" (Familiaris consortio, n. 42). Nela, além de ser lugar de crescimento pessoal, da transmissão da cultura e da ética, é também uma comunidade de amor onde se aprende valores como a solidariedade, a gratuidade, abertura ao outro, amizade, companheirismo, respeito e acolhida para com o diferente, entre outros valores humanos e cristãos.

 

Que o amor de Deus esteja presente, sustentando e orientando cada família em sua missão, na igreja e no mundo, para que, assim, a vida, sobretudo dos mais frágeis e indefesos, seja protegida, amparada e promovida em todas as circunstâncias.

23/11/2017

Cristãos leigos e leigas: sujeitos na Igreja em saída, a serviço do Reino

Neste domingo, 26 de novembro, em que celebramos a Solenidade de Cristo Rei, será para nós da Igreja no Brasil a abertura do Ano do Laicato. Certamente será uma oportunidade a mais para maior compreensão da identidade, vocação e missão dos leigos e leigas na Igreja e no mundo.

 

Recordemos que em 2016, na 54ª Assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida, esse já foi o tema central abordado pelos bispos, cujas reflexões se encontram no Documento 105, intitulado “Cristãos Leigos e leigas na Igreja e na Sociedade, sal da terra e luz do mundo”. Esse documento nos recorda que “apesar dos avanços na caminhada da Igreja nas últimas décadas, temos ainda, no campo da identidade, da vocação, da espiritualidade e da missão dos leigos e leigas na Igreja e no mundo, um longo caminho a percorrer” (nº 9).

 

Em sintonia com o Concilio Vaticano II (LG, 31), os bispos insistem que “a realidade temporal é o campo próprio da ação evangelizadora e transformadora que compete aos leigos” (nº 63). Necessitamos de fato que os cristãos leigos e leigas possam fazer a diferença em todas as esferas da sociedade, ou seja, no mundo da educação, economia, política, cultura, ecologia e em tudo que diz respeito à vida humana. Precisamos deixar com que as palavras de Jesus nos interpele e, assim, sejamos verdadeiramente “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5, 13-14). É fundamental mantermos firmes a fé e a esperança de que o mundo pode ser transformado com a nossa presença cristã. Como nos diz o Papa Francisco, “não permitamos que nos roubem a esperança”.

 

Além dessa índole secular que é própria dos cristãos leigos e leigas, os mesmos são chamados a viverem sua vocação como sujeitos eclesiais. Segundo o Documento 105, “ser sujeito eclesial significa ser maduro na fé, testemunhar amor à Igreja, servir os irmãos e irmãs, permanecer no seguimento de Jesus, na escuta obediente à inspiração do Espírito Santo e ter coragem, criatividade e ousadia para dar testemunho de Cristo” (nº 119).

 

Mas, sem dúvida, este é um caminho que precisamos percorrer com maior determinação, pois “ainda persiste forte mentalidade clerical que dificulta a corresponsabilidade e a participação do leigo como sujeito eclesial” (nº 120). Sabemos que existe a tendência em alguns de nós, ministros ordenados, em querer centralizar tudo, mas também é muito comum ver em vários grupos de leigos uma dependência exagerada em relação ao pároco. Dá-se a impressão de que sem a presença do padre a coisa não caminha. Precisamos de uma conversão nessa direção, pois o potencial que os leigos e leigas possuem em fazer acontecer a obra de evangelização é muito grande. Claro que é fundamental um caminhar em comunhão e unidade.

 

Vale aqui lembrar novamente o Documento 105 quando diz que “assim como o leigo não pode substituir o pastor, o pastor não pode substituir os leigos e leigas no que lhes compete por vocação e missão. Além disso a ação dos cristãos leigos e leigas não se limita à suplência em situação de emergência e de necessidades crônicas da pastoral e da vida da Igreja. É uma ação especifica da responsabilidade laical que nasce do batismo e da confirmação”.

 

Saibamos aproveitar, portanto, este Ano do Laicato para que nossa Igreja se fortaleça e cresça verdadeiramente como discípula, missionária, misericordiosa e profética em meio ao mundo em que vivemos.

29/06/2017

São Pedro e São Paulo

 “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18)

 

Tendo presente a celebração da Solenidade de São Pedro e São Paulo, queremos olhar a nossa caminhada como Igreja no desejo de louvar e glorificar a Deus por tantas graças concedidas ao longo dos séculos. Segundo o Catecismo, a Igreja “foi admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na antiga aliança. Foi fundada nos últimos tempos. Foi manifestada pela efusão do Espírito. E no fim dos tempos será gloriosamente consumada” (CIC, nº 759). Somos, portanto, uma Igreja projetada no coração do Pai, instituída por Cristo e manifestada ao mundo pelo Espírito Santo. 

 

Essa Igreja, que tem sua origem no desígnio da Santíssima Trindade, é, “pela sua própria natureza, missionária enviada por Cristo a todas as nações para fazer deles discípulos” (CIC, nº 767). Diante disso, é louvável recordar daqueles que no início creram em Jesus e deram ao mundo um testemunho extraordinário de fé. Dentre tantos destacamos nesse mês de junho os apóstolos Pedro e Paulo.

 

Esses dois apóstolos são reconhecidos como as grandes colunas da Igreja. Vale aqui lembrar o que rezamos no prefácio da liturgia desta solenidade: “Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o evangelho da salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração”. De fato, é louvável o testemunho de fé e entrega ao projeto de Deus presente nesses dois apóstolos.

 

Edificada, portanto, sobre os apóstolos, a Igreja vive sua missão no mundo. Missão essa que foi continuada através dos sucessores, que são os bispos. Esses “são constituídos Pastores da Igreja com a missão de ensinar, santificar e guiar, em comunhão hierárquica com o Sucessor de Pedro e com os outros membros do Colégio Episcopal” (Diretório para o Ministério Pastoral dos Bispos, pág. 5). A busca em vivermos sempre em comunhão é uma característica fundamental em nossa Igreja.

 

É a partir do desejo e empenho em vivermos essa comunhão eclesial que somos chamados, sobretudo em nossos tempos, a sermos uma Igreja constituída em pequenas comunidades em vista de uma vivência mais profunda da fé, de tal modo que todos se conheçam e busquem viver como verdadeiros irmãos. Além disso, conforme nos lembra o Papa Francisco, precisamos crescer na consciência que somos chamados a “sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG, 20). Sem uma vivencia da fé em comunidade e sem voltarmos a atenção para os que vivem nas chamadas “periferias existenciais” seria muito complicado nos identificarmos como verdadeiros discípulos missionários do Senhor.

29/05/2017

Evangelizar, a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo

Tenhamos presente o mandato de Jesus Cristo aos seus discípulos pouco antes de voltar para junto do Pai: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28,19-20). É a partir desse mandato que podemos compreender o objetivo das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, quando nos convoca a evangelizar, a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo (cf. Doc. Cnbb, 102).

 

Cristo será sempre o centro e a grande referência para a nossa vida cristã. É n’Ele e a partir d’Ele que vamos construindo nossa história pessoal, familiar, comunitária e social. Foi Ele mesmo quem disse: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5s). Isso supõe de nossa parte uma profunda intimidade com o Senhor vivida na oração pessoal e comunitária.

 

É a partir dessa intimidade que vai acontecendo em nós o verdadeiro discipulado e também a compreensão de que evangelizar é nosso dever. Por isso, devemos entender que o ser missionário não é questão de querer ou não, mas de identidade. Somos discípulos do Senhor e por isso temos que evangelizar. Dizia o apóstolo Paulo: “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9, 16).

 

Outra questão fundamental que devemos ter presente é a exigência de estarmos vivendo sempre em comunidade. Não existe verdadeiro discípulo do Senhor e muito menos missionário desvinculado da vida em comunidade. Assim nos diz as Diretrizes atuais da ação evangelizadora: “ser verdadeiro discípulo missionário exige o vínculo efetivo e afetivo com a comunidade dos que descobriram fascínio pelo mesmo Senhor” (DGAE nº13). Só vivendo em comunidade poderemos dar o verdadeiro testemunho que o Senhor nos pede.

 

Sabemos que tudo isso é muito exigente, sobretudo neste mundo em que vivemos, tão secularizado, onde o individualismo impera e a ganância por bens materiais move muitos corações. Insensibilidade, indiferença, viver centrado em si mesmo é uma tendência na cultura atual. Mas, como discípulos missionários, devemos buscar viver com o outro, mesmo que seja bem diferente de nós. E, além de viver com o outro, é necessário, sobretudo, vivermos para o outro. É o que o Senhor Jesus nos ensinou com a própria vida. Da mesma forma que ele viveu para o Pai e se entregou pela salvação da humanidade, assim também devemos fazer.

 

O que nos consola, dá esperança e confiança é saber que Ele nos deu o Espírito Santo. Disse Jesus: “Recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas” (At 1,8). É esse Espírito que nos mantem firmes, perseverantes na caminhada. Sem Ele jamais poderíamos corresponder ao chamado do Senhor e sermos testemunhas de seu amor onde quer que estejamos.

 

Recordo o que nos diz o Papa Francisco: “Fiel ao modelo do Mestre, é vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo. A alegria do Evangelho é para todo o povo, não se pode excluir ninguém” (EG. nº 23).

17/03/2017

A Quaresma e a Campanha da Fraternidade

Vivemos um tempo especial na nossa caminhada de fé. Iniciamos há alguns dias a Quaresma no desejo de nos prepararmos para a Páscoa. Conforme Frei José Ariovaldo da Silva, “nós cristãos celebramos todo ano a festa da Páscoa: morte e ressurreição de Jesus e nossa. É a maior de todas as festas. A mais importante... Grande demais para ser preparada em três dias ou uma semana. Por isso, entendemos a sua preparação para quarenta dias”.

 

Conforme lembrou o profeta Joel na liturgia da Quarta-feira de Cinzas, Quaresma é um tempo oportuno para voltar nosso coração a Deus. Assim, é marcada por um apelo à penitência e à conversão. Por isso, nos é proposto exercícios espirituais, através dos quais essa conversão possa acontecer de modo que celebremos de maneira digna e solene a Páscoa do Senhor.

 

O texto-base da Campanha da Fraternidade 2017 nos diz que “o insistente apelo à penitência e conversão não se apresenta na dinâmica da ‘tristeza’, mas de uma ‘sóbria alegria’, alimentada pela esperança (...). Quaresma é tempo de conversão, por isso tempo de intensa alegria. Alegria, porque iniciamos nossa caminhada rumo a Páscoa do nosso Salvador Jesus. Se, por um lado, a recordação do sofrimento de Jesus com sua morte na cruz produz em nós uma dor, a Ressurreição nos traz a certeza da vitória e a Quaresma passa a ser um tempo de alegria, pois nos aproxima de Deus e dos irmãos”. Essa aproximação para com Deus e os irmãos certamente nos fará mais comprometidos e solidários com os que sofrem. Nesse sentido, o texto-base nos lembra também que “a Campanha da Fraternidade quer ajudar a construir uma cultura de fraternidade, apontando os princípios de justiça, denunciando ameaças e violações da dignidade e dos direitos, abrindo caminhos de solidariedade”. Desse modo, a Quaresma, enriquecida com a CF, representa um apelo à conversão pessoal e social.

 

Diante disso, podemos louvar a Deus por termos no Brasil a possibilidade de olhar com seriedade e profundidade tudo que esteja ligado à vida humana. É o que estamos fazendo nesse ano, pois o olhar, a partir da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja, para os biomas brasileiros diz respeito ao cuidado com a vida. Há uma conexão profunda entre a vida humana com todo tipo de vida animal e vegetal. Assim, precisamos como Igreja nos posicionarmos e propormos alternativas frente à destruição desmedidas de tais biomas.

 

Segundo o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, a natureza “é um dom oferecido pelo Criador à comunidade humana, confiado à inteligência e à responsabilidade moral do homem. Por isso, ele não comete um ato ilícito quando, respeitando a ordem, a beleza e a utilidade de cada ser vivente e da sua função no ecossistema, intervém modificando-lhe algumas características e propriedades. São deploráveis as intervenções do homem quando danificam os seres viventes ou o ambiente natural, ao passo que são louváveis quando se traduzem no seu melhoramento”. Portanto, conforme o lema da CF/2017, “cultivar e cuidar da criação” é nossa obrigação.

 

Que o tempo quaresmal seja oportuno para que os sinais de morte em nosso meio, gerados pelo egoísmo, orgulho e autossuficiência, sejam superados e vencidos. Que a força do Ressuscitado transforme nossa vida e, através de nós, toda a realidade na qual vivemos.

04/11/2016

Somos uma Igreja formada por discípulos missionários

Todos os anos temos a oportunidade de aprofundar a dimensão missionária que faz parte essencial de nossa vida cristã, pois como Igreja peregrina somos “pela própria natureza uma Igreja missionária” (Ad Gentes, n. 3). Nesse sentido, todo aquele que se torna pelo batismo discípulo de Jesus Cristo e membro de sua Igreja deve reconhecer-se chamado a evangelizar.

 

Essa dimensão intrínseca ao nosso ser cristão nos leva a compreender melhor o grande apelo do Papa Francisco para que sejamos de fato uma Igreja em saída. O fundamento dessa exortação está bem claro no mandato missionário de Jesus: “ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado” (Mt 28, 16). Sem dúvida, esse mandato do Senhor se estende a todos nós batizados que, pela graça de Deus, fomos incorporados à sua igreja.  Afirma ainda o Papa: “todos somos chamados a esta nova ‘saída’ missionaria. Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar essa chamada: sair da própria comodidade ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG, n. 20).

 

Infelizmente, conforme percebemos em nossas comunidades, muitos que foram agraciados com o sacramento do batismo não compreenderam essa exigência intrínseca ao mesmo, pois vivem sem nenhum comprometimento com a vida em comunidade. Sem contar aqueles que estão vivendo totalmente afastados da Igreja e ainda se afirmam católicos. Junta-se a essa realidade um bom número de pais que buscam o batismo para seus filhos com motivações que são mais de cunho cultural, social ou até marcados por certas superstições. Talvez a questão mais exigente que temos ainda são aqueles que nem buscam mais nada no âmbito religioso. Vivem como se a Igreja não tivesse nenhuma importância para suas vidas.

 

Essa é uma realidade que nos desafia e muito. Assim, todos nós que temos consciência da graça batismal recebida e queremos seguir os ensinamentos de Jesus como discípulos missionários devemos nos colocar com total disposição e assumirmos mais profundamente o mandato de Jesus para que todos se tornem seus discípulos e observem seus ensinamentos.

 

Mas para que isso aconteça é necessário que tenhamos algumas atitudes fundamentais. As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2015 – 2019) nos falam da “alteridade” e da “gratuidade”, que são marcas que nos configuram a Jesus Cristo e, por isso, devem fazer parte de nossa vida. Conforme nos diz as Diretrizes, “a alteridade se fundamenta na encarnação e se refere ao outro, ao próximo, àquele que, em Jesus Cristo, é meu irmão ou minha irmã, mesmo estando do outro lado do planeta. As diferenças convidam ao respeito mútuo, ao encontro, ao diálogo, à partilha e ao intercâmbio de vida e à solidariedade. A gratuidade encontra no mistério pascal sua máxima expressão e sua fonte permanente. A vida só se ganha na entrega, na doação. ‘Quem quiser perder a sua vida por causa de mim a encontrará!’ (Mt 10,39). Gratuidade significa amar, em Jesus Cristo, o irmão e a irmã, respondendo, através de atitudes fraternas e solidárias, a grande questão: ‘Quem é o meu próximo?’ (Lc 10,29), querendo e fazendo bem ao outro sem nada esperar em troca. Ainda mais, Jesus se declara presente nos sofredores e, o que é feito ou negado a eles, declara feito ou negado a si mesmo, fazendo do amor-serviço o critério do julgamento (Mt 25, 31-46). Com essas atitudes, corta-se a raiz mais profunda da violência, da exclusão, da exploração e de toda discórdia” (DGAE, n. 11).  Certamente, vivendo essas atitudes a sociedade vai poder compreender através de nosso testemunho o significado do verdadeiro cristianismo.

 

Como meios concretos, por meio dos quais poderemos fortalecer essa consciência em torno da graça batismal que nos abre caminho para que sejamos de fato discípulos missionários do Senhor, podemos destacar alguns pontos importantes, tais como: o fortalecimento das pequenas comunidades, o empenho para a solidificação do processo de Iniciação à Vida Cristã, a leitura orante da Palavra de Deus e, por fim, o empenho na aplicação das propostas que as Pontifícias Obras Missionárias (POM) nos enviam todo ano. Esse ano, por exemplo, a Campanha Missionária nos ajudou a recordar aquilo que o Papa Francisco fala em sua Carta Encíclica Laudato Si, ou seja, cuidar da casa comum é nossa missão.

 

Que todos nós, dóceis ao Espírito Santo de Deus, possamos compreender melhor ainda a graça batismal e sejamos na Igreja e no mundo verdadeiros discípulos missionários do Senhor.

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