Padres e seminarista falam sobre o trabalho missionário no Pará


Estradas de chão batido e muitas vezes intransitáveis, comida com muito coentro, comunidades muito distantes, centenas de quilômetros entre cada comunidade, culturas e religiosidades diferentes. Muitos são os desafios de quem se dispõe a deixar a comodidade de sua terra e assume o papel de missionário. Mas são também essas as motivações de padres como Fernando Pereira de Andrade e Jorge de Siqueira César, da Arquidiocese de Porto Alegre, que atualmente dedicam seu tempo, estudo e espiritualidade a comunidades do Pará.

Pe. Fernando e Pe. Jorge são missionários da Arquidiocese de Porto Alegre. Foto: reprodução

Durante as férias no Rio Grande do Sul, entre visitas a amigos e parentes e convívio com a família presbiteral da Arquidiocese, Pe. Fernando e Pe. Jorge dividiram um pouco daquilo que vivenciam como missionários na região Norte do Brasil:

Pe. Fernando Pereira de Andrade está na Diocese de Marabá

Muitas são as características e as qualidades de que um missionário: humildade, desprendimento, espiritualidade. Mas o determinante mesmo é o amor a Jesus Cristo. É nisso que acredita o padre Fernando Pereira de Andrade, que há um ano serve como pároco na paróquia São Antônio, na cidade de Itupiranga, Diocese de Marabá, no Pará.

Essa é a segunda experiência do padre porto-alegrense como missionário. Por três anos atuou em Tocantins, em diversas regiões. Hoje é auxiliado por mais um sacerdote, da Diocese de Jundiaí (SP), no atendimento de uma paróquia com 54 comunidades, espalhadas por um município que tem quase metade da Arquidiocese de Porto Alegre. “Para chegarmos até algumas comunidades viajamos três horas do Centro da cidade em estradas de chão batido”, exemplifica.

Pe. Fernando é sacerdote desde 1993. Em terras gaúchas passou por paróquias de Osório, Canoas, Barão do Triunfo e Gravataí. Não tinha pensado em ser missionário, o desejo foi acontecendo aos poucos. A motivação veio pelo desafio de viver em um lugar que não conhece, com outra cultura, e pela possibilidade de ser presença de Cristo “para rebanhos sem pastor”. “Há uma necessidade muito grande no país”, observa.

Segundo o presbítero, as comunidades acolhem muito bem os missionários e são compreensivas, pois sabem das dificuldades e da realidade de uma paróquia tão extensa e com diversas necessidades. A maioria das capelas, por exemplo, não tinha cruz, padroeiro, ambão, toalha para altar ou sacrário. Mas de acordo com Pe. Fernando, são comunidades muito ativas e com grande religiosidade, e que se reúnem nas semanas em que não há missa.

“Aprendo muito na minha espiritualidade. Me impressionou que no meio daquela simplicidade toda tem pessoas que buscam mesmo a santidade mesmo. Isso me força a me preparar também, também tenho que me colocar no caminho, na oração e na minha vocação para poder dar resposta àquelas pessoas”, relata Pe. Fernando. “Falava no início eu era um pároco em missão. Da missão voltei um missionário pároco”, define.

Em vídeo os presbíteros relatam o que é ser um missionário

Há cinco anos Pe. Jorge de Siqueira César atua na Prelazia do Xingú

Por meio do projeto Igrejas Coirmãs, mantido pela Arquidiocese e a Prelazia do Xingú, no Pará, o Pe. Jorge de Siqueira César está há cinco anos servindo na área pastoral Nossa Senhora de Guadalupe, conhecida de Belo Monte. Uma das principais comunidades é justamente a chamada Vila Residencial, mas de nome Nossa Senhora de Fátima, caracterizada pelas famílias que atuam na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

O local, que chegou a abrigar 10 mil famílias, hoje conta com cerca de 5 mil e no futuro deve ser transformada em paróquia – hoje a área pastoral pertence à Catedral Sagrado Coração de Jesus, no município de Altamira. Em sua primeira experiência missionária, Pe. Jorge atende a 15 comunidades.

Natural de Santiago, foi ordenado em 1995 e incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre. Serviu em diversas cidades, como Viamão, Montenegro, Guaíba, Charqueadas e Minas do Leão. A vivência como missionário deu a Pe. Jorge amadurecimento. “Você amadurece na convivência com essas diversas culturas, com a religiosidade de cada lugar”, observa.

Respeitar os costumes é um dos pontos principais na missão, afirma o presbítero. Segundo ele, é preciso observar e entender a realidade local. “Não se pode ir com muitos projetos para não frustrar quando chegar lá. Também não pode se acomodar, mas fazer uma caminhada com a realidade”, orienta. Apesar dos aprendizados e dos bons momentos como missionário no Pará, o presbítero tem consciência de que este não é uma situação permanente: “É um período, uma fase na qual a gente aprende e depois vamos adiante.”

Seminarista ficará um ano no Xingú

Gilberto Ferreira Pacheco, 24 anos, terá um 2017 diferente. Após concluir o terceiro ano de Teologia, o seminarista fará o chamado ano pastoral na Prelazia do Xingú, no Pará. Gilberto, que é da paróquia Nossa Senhora das Dores, de Sentinela do Sul, conta que a inspiração surgiu em 2015, quando participou da experiência missionária em Porto Velho, Rondônia. “Lá fiz 35 dias de missão e tive a oportunidade de fazer uma experiência muito intensa de Deus em cada realidade que me deparava e com cada pessoa que encontrava e visitava”, recorda.

Em 2017 Gilberto fará o ano pastoral na Prelazia do Xingú. Foto: repodução Facebook/arquivo pessoal

O seminarista afirma que a necessidade de se formar para ser um bom padre, que saiba vivenciar o ministério nas mais diversas e realidades e adversidades, o motivou. “Quero ser um padre ‘completo’, bem formado intelectualmente, pastoralmente, que tenha uma vida intensa de oração, que saiba viver a fraternidade e que seja missionário, capaz de deixar tudo para servir e para, sobretudo, aprender com as necessidades do povo de Deus”, afirma.

Nos primeiros dias Gilberto visitou aldeias indígenas; comunidades e paróquias. Ela irá morar na cidade de Gurupá, que fica a 17 horas de barco de Altamira. Na paróquia Santo Antônio ajudará a atender as 90 comunidades, quase todas elas ribeirinhas, com celebrações, batizados, casamentos, grupos de jovens, visitas às famílias. “É uma região que aqui chamamos de ‘região das águas’, pois tudo se faz pelo rio”, revela.

O seminarista, que ficará no Pará até início de dezembro, destaca que esse será um período de aprendizagem: com o padre que ele irá acompanhar, com as pessoas que encontrará, com a paróquia e comunidades. “As dificuldades por aqui são muitas. Embora eu ainda esteja no Brasil, as realidades são bem diferentes das que temos no Rio Grande do Sul. O trabalho aqui é muito desafiador e difícil, mas com a graça de Deus este ano será de muito aprendizado e serviço pelo Reino”, projeta Gilberto.

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