Coradino e Olga: uma história de amor e fé para inspirar


Se por um lado dezembro é um mês marcado pelo cansaço de um ano que está terminando e a correria das compras e encontros de Natal, por outro é um período em que se costuma rever tudo aquilo que se fez e planejar novos sonhos e objetivos. Em meio a tantas crises – política, econômica, social – e realidades que causam desânimo e indignação, há ainda histórias que inspiram e renovam as esperanças para o recebimento de Jesus e do ano novo que vem chegando. Certamente a história Coradino Pereira de Moraes e Olga Christina de Moraes é uma delas.

O casal divide a vida há 76 anos – ele tem 97; ela tem 95. Atualmente moradores de Canoas, são vizinhos de uma das netas em um condomínio onde ele faz o almoço todos os dias, ela costura e, juntos, assistem a missas e orações do terço na televisão. A vida na roça, o nascimento do primeiro filho em um estábulo, a Segunda Guerra Mundial, as mudanças de cidade: tudo isso é enredo desta narrativa marcada pela dedicação à família e pela fé. Inspire-se!

O COMEÇO

Seu Moraes, como é conhecido, nasceu em Carazinho e tinha 18 anos quando decidiu sair da roça e ir para Alto Alegre, município que na época pertencia a Espumoso. Foi morar na casa de um cunhado e conseguiu trabalho como professor, já que tinha cursado o ensino primário. Ganhava o que, segundo ele, hoje equivale a R$ 800 por ano.

Coradino e Olga mostram a foto do casamento, em 25 de setembro de 1941. Foto: Amanda Fetzner Efrom

Olga, natural de Encantado, morava bem na frente, com os pais, e todas as tardes saía para ir rezar o terço. “Eu ficava esperando ela passar”, lembra Coradino, admitindo que na época ainda estava de olho em outras moças. Mas não foi nesse período que os dois se conheceram – eles conviviam desde criança e com oito anos Seu Moraes lembra de ter ido ao velório do pai de Olga.

O CASAMENTO

Coradino e Olga se casaram quando ele tinha 21 anos e ela, 19. Com a família Moraes, o casal passou por diversas mudanças entre Alto Alegre e Três Passos, muitas delas feitas com carroça, ao longo de até oito dias. Foi durante uma das trocas de cidade que nasceu Ilário, 10 meses após o matrimônio. Olga entrou em trabalho de parto quando estavam em uma fazenda perto de Soledade. A família seguiu viagem e o casal ficou, até a chegada do primeiro filho, em uma estrebaria – o único local disponível.

Mendo tendo sido dispensado do serviço militar, Seu Moraes acabou convocado para a Segunda Guerra Mundial. “Fiquei sozinha morando no meio do mato, ouvindo miado de tigre, com um bebê de um ano e grávida”, recorda Olga. Quando o marido voltou do Exército, decidiram ir para a cidade e então moraram 32 anos em Três Passos, onde nasceram os netos.

A VINDA PARA A GRANDE PORTO ALEGRE

Olga sempre trabalhou em casa com costura, habilidade que aprendeu com a mãe. Já Coradino atuou 10 anos numa fábrica de café e sabão e outros 30 em frigorífico, até se aposentar, em 1981. Ao ver os filhos saírem de Três Passos – Lenir foi morar em São Sebastião do Caí e Ilário, em Canoas – o casal decidiu que era hora de trocar mais uma vez de cidade.

Depois de dois anos em Canoas e outros dois em Sapucaia do Sul, foram 34 em Esteio. Mas após duas tentativas de assalto, decidiram ir morar mais perto da família e escolheram o condomínio onde uma das netas reside em Canoas. Lá estão há quase seis meses. Vindo de uma família com 24 irmãos, Coradino teve com Olga dois filhos, seis netos (Jeferson, Ana, Isabel, Marcelo, Maurício e Alexandre) e três bisnetos (Gabriel, Nicole e Gianluca).

A FÉ

Olga desde a adolescência participava dos encontros para oração do terço. Quando foi para Alto Alegre, Coradino fez catequese, recebeu os sacramentos da Eucaristia e Crisma e se tornou responsável por tocar o sino. As imagens de Nossa Senhora Aparecida na sala do casal deixam evidente a importância da fé nesta história de 76 anos de vida conjugal.

“Depois que voltei do Exército eu engrenei na Igreja e só faltei duas missas”, conta Seu Moraes, destacando que participar da comunhão toda semana e a confissão são instrumentos de salvação das pessoas. Além disso, em todos os lugares em que morou, o casal sempre se colocou à disposição da paróquia e “trabalhou com os padres”, como Seu Moraes mesmo diz.

O SEGREDO E O LEGADO

Com uma saúde admirável, o casal que está se aproximando dos 100 anos mantém uma rotina tranquila em Canoas. Coradino é quem faz a comida sempre com banha – azeite é um veneno, segundo ele. Para o patriarca, outro segredo é o consumo de carne todos os dias. O ideal, ele afirma, seria como antigamente, quando comiam animais que eles mesmos caçavam, sem nenhum tipo de tratamento. O vinho também não pode ser esquecido: antes era um cálice ao meio-dia; agora é um dia sim, no outro não, por recomendação médica.

Além de uma boa alimentação e de uma vivência religiosa, a harmonia em casa é uma referência para a família. “A gente nunca via eles brigando”, conta a filha, Lenir. Para a neta Isabel, o casal é exemplo de cumplicidade e carinho. “As melhores lembranças que eu tenho da infância são com eles”, recorda, destacando que sempre houve muita união, diálogo e respeito ao que o outro diz.

* Jornalista - Arquidiocese de Porto Alegre

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