"Levante a voz pela Amazônia": Celam e CNBB emitem notas em defesa da Amazônia


(Atualizada dia 23/8, às 18:53)

O Brasil registrou, entre janeiro e o último dia 19 de agosto, um aumento de 83% das queimadas em relação ao mesmo período de 2018, com 72.843 focos de incêndios até o momento. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora o desmatamento por meio de imagens de satélite. O fogo está progredindo mesmo em áreas de proteção ambiental: 68 incêndios foram registrados em territórios indígenas e áreas de conservação somente nesta semana, a maioria deles na região amazônica. O Estado de Mato Grosso, na região centro-oeste do Brasil, lidera as queimadas com 13.682 focos de incêndio em 2019 - um aumento de 87% em relação ao mesmo período do ano passado -, segundo o INPE. Mesmo entre julho e setembro, quando é proibido promover queimadas naquele Estado, houve um aumento de 205% no número de incêndios. (Fonte: El País)

Fazendo eco às palavras do Papa Francisco, os representantes da Igreja na América Latina e no Caribe exortam homens e mulheres a serem guardiões da criação. A nota publicada nesta quinta-feira (22), pela presidência do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), tem o título: “Levantamos a voz pela Amazônia”.

Conscientes dos terríveis incêndios que consomem grande parte da flora e da fauna no Alasca, na Gronelândia, Sibéria, Ilhas Canárias e, em particular, na Amazônia, os bispos da América Latina e Caribe desejam manifestar – escrevem -, a preocupação perante a gravidade desta tragédia, que não é apenas de impacto local ou mesmo regional, mas de proporções planetárias.

A esperança pela proximidade do Sínodo Amazônico, convocado pelo Papa Francisco – lê-se ainda no texto -, está agora manchada pela dor desta tragédia natural. Aos irmãos povos indígenas que habitam este amado território, expressamos toda a nossa proximidade e unimos a nossa voz à sua para clamar ao mundo por solidariedade e chamar a atenção para acabar com esta devastação.

Já o Instrumento de Trabalho do Sínodo adverte profeticamente, escreve a presidência do Celam: "Na selva amazônica, de vital importância para o planeta, se desencadeou uma profunda crise por causa de uma prolongada intervenção humana, onde predomina uma "cultura do descarte" (LS 16) e uma mentalidade extrativista. A Amazônia é uma região com uma rica biodiversidade, é multiétnica, pluricultural e plurirreligiosa, espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos estados e da Igreja. Esta realidade vai além do âmbito estritamente eclesial amazônico, porque se focaliza na Igreja presente em todo o mundo e também no futuro de todo o planeta" (Instrumentum laboris para o Sínodo da Amazônia, preâmbulo).

A nota dos bispos latino-americanos exorta os governos dos países amazônicos, especialmente do Brasil e da Bolívia, às Nações Unidas e à comunidade internacional a tomarem medidas sérias para salvar o pulmão do mundo. O que acontece com a Amazônia – afirmam os bispos -, não é apenas uma questão local, mas global. Se a Amazônia sofre, o mundo sofre.

Recordando as palavras do Papa Francisco, - continua o texto da presidência do Celam -, gostaríamos de "pedir, por favor, a todos aqueles que ocupam cargos de responsabilidade nos âmbitos econômico, político e social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: [que] sejamos guardiães da criação, do projeto de Deus inscrito na natureza, guardiães do outro, do ambiente; não deixemos que os sinais de destruição e de morte acompanhem o caminho deste nosso mundo" (Homilia no início do ministério Petrino, 19 de março de 2013).

A declaração é assinada pelo presidente do Celam, Dom Miguel Cabrejos Vidarte, arcebispo de Trujillo, Peru; pelo primeiro vice-presidente, arcebispo de São Paulo, Brasil, cardeal Odilo Pedro Scherer; pelo segundo vice-presidente, arcebispo de Manágua, Nicarágua, cardeal Leopoldo José Brenes Solórzano; pelo presidente do Conselho de Assuntos Econômicos, arcebispo de Monterrey, México, dom Rogelio Cabrera López; e pelo secretário-geral, bispo-auxiliar de Cali, Colômbia, dom Juan Carlos Cárdenas Toro.

Também a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu nota na tarde desta sexta-feira (23) sobre a situação em que classifica de “absurdos incêndios” e outras criminosas depredações em curso na Amazônia. Estas atitudes, segundo o documento, requerem posicionamentos adequados. “É urgente que os governos dos países amazônicos, especialmente o Brasil, adotem medidas sérias para salvar uma região determinante no equilíbrio ecológico do planeta – a Amazônia. Não é hora de desvarios e descalabros em juízos e falas”, diz a nota. No documento, assim como a Celam, a CNBB também ressalta que Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, convocado pelo papa Francisco para outubro próximo, no cumprimento de sua tarefa missionária e da evangelização, é sinal de esperança e fonte de indicações importantes no dever de preservar a vida, a partir do respeito ao meio ambiente.

(Fonte: Vatican News e CNBB)

Abaixo, íntegras das notas emitida pelo Celam e pela presidência da CNBB:

LEVANTAMOS NOSSA VOZ PELA AMAZÔNIA

Conscientes dos terríveis incêndios que consomem grandes proporções da flora e fauna do Alasca, Groenlândia, Sibéria, Ilhas Canárias, e, particularmente, na Amazônia, nós, bispos da América Latina e Caribe, queremos expressar nossa preocupação com a gravidade dessa tragédia que não só é de impacto local, nem mesmo regional, mas de proporções planetárias.

A esperança pela proximidade do Sínodo Amazônico, convocado pelo Papa Francisco, está manchada pela dor dessa tragédia natural. Aos irmãos povos indígenas que habitam este amado território, expressamos toda a nossa proximidade e nos unimos às suas vozes para gritar ao mundo por solidariedade e por atenção imediata para acabar com essa devastação.

O Instrumento de Trabalho do Sínodo já adverte profeticamente: "Na floresta amazônica, de vital importância para o planeta, uma crise profunda foi desencadeada por uma prolongada intervenção humana, onde predomina uma ‘cultura do descarte’ (LS 16) e mentalidade extrativista. A Amazônia é uma região de rica biodiversidade, multiétnica, multicultural e multirreligiosa, espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, Estados e da Igreja. Essa realidade vai além do campo estritamente eclesiástico da Amazônia, porque se concentra na Igreja universal e também no futuro de todo o planeta” (Instrumentum laboris para o Sínodo da Amazônia, preâmbulo).

É urgente que os governos dos países amazônicos, especialmente Brasil e Bolívia, as Nações Unidas e a Comunidade Internacional adotem medidas sérias para salvar os pulmões do mundo. O que acontece com a Amazônia não é apenas uma questão local, mas de alcance global. Se a Amazônia sofre, o mundo sofre.

Lembrando as palavras do Papa Francisco, gostaríamos de “pedir, por favor, a todos os que ocupam posições de responsabilidade no campo econômico, político e social, todos os homens e mulheres de boa vontade: [que] sejamos guardiões da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiães do outro, do meio ambiente; não deixemos que. os sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo” (Homilia do início do ministério Petrino, 19 de março de 2013)

Monsenhor Héctor Miguel Cabrejos Vidarte, OFM

Arcebispo de Trujilo, Peru - Presidente do Celam

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo, Brasil – Primeiro Vice-Presidente do Celam

Cardeal Leopoldo José Brenes

Arcebispo de Managuaá, Nicarágua – Segundo Vice-Presidente do Celam

Monsenhor Rogelio Cabrera López

Arcebispo de Monterrey, México - Presidente do Conselho de Assuntos Econômicos do Celam

Monsenhor Juan Carlos Cárdenas Toro

Bispo Auxiliar de Cali, Colômbia - Secretário Geral do Celam

NOTA DA CNBB

O povo brasileiro, seus representantes e servidores têm a maior responsabilidade na defesa e preservação de toda a região amazônica. O Brasil possui significativa extensão desse precioso território, com o rico tesouro de sua fauna, flora e recursos hidrominerais. Os absurdos incêndios e outras criminosas depredações requerem, agora, posicionamentos adequados e providências urgentes. O meio ambiente precisa ser tratado nos parâmetros da ecologia integral, em sintonia com o ensinamento do Papa Francisco, na sua Carta Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado com a casa comum.

“Levante a voz pela Amazônia” é um movimento, agora, indispensável, em contraposição aos entendimentos e escolhas equivocados. A gravidade da tragédia das queimadas, e outras situações irracionais e gananciosas, com impactos de grandes proporções, local e planetária, requerem que, construtivamente, sensibilizando e corrigindo rumos, se levante a voz.

É hora de falar, escolher e agir com equilíbrio e responsabilidade, para que todos assumam a nobre missão de proteger a Amazônia, respeitando o meio ambiente, os povos tradicionais, os indígenas, de quem somos irmãos. Sem assumir esse compromisso, todos sofrerão com perdas irreparáveis.

O Sínodo dos bispos sobre a Amazônia, outubro próximo, em sintonia amorosa e profética com a convocação do Papa Francisco, no cumprimento da tarefa missionária e da evangelização, é sinal de esperança e fonte de indicações importantes no dever de preservar a vida, a partir do respeito ao meio ambiente.

“Levante a voz” para esclarecer, indicar e agir diferente, superar os descompassos vindos de uma prolongada e equivocada intervenção humana, em que predomina a “cultura do descarte” e a mentalidade extrativista. A Amazônia é uma região de rica biodiversidade, multiétnica, multicultural e multirreligiosa, espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, Estados e da Igreja.

É urgente que os governos dos países amazônicos, especialmente o Brasil, adotem medidas sérias para salvar uma região determinante no equilíbrio ecológico do planeta – a Amazônia. Não é hora de desvarios e descalabros em juízos e falas. “Levante a voz” na voz profética do Papa Francisco ao pedir, a todos os que ocupam posições de responsabilidade no campo econômico, político e social: “Sejamos guardiões da criação”.

Vamos construir juntos uma nova ordem social e política, à luz dos valores do Evangelho de Jesus, para o bem da humanidade, da Panamazônia, da sociedade brasileira, particularmente dos pobres desta terra. É indispensável para promovermos e preservarmos a vida na Amazônia e em todos os outros lugares do Brasil. Em diálogos e entendimentos lúcidos, que se “levante a voz”!

Brasília-DF, 23 de agosto de 2019

Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte – MG Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler, OFM Arcebispo de Porto Alegre – RS 1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva Bispo de Roraima – RR 2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado Bispo Auxiliar de S. Sebastião do Rio de Janeiro – RJ Secretário-Geral da CNBB

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