Comissão de Liturgia: em 5 perguntas, saiba o que está sendo feito e o que vem por aí


Na terceira publicação da série de entrevistas que a Ascom (Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Porto Alegre) está produzindo com líderes da Arquidiocese (leia aqui a primeira, sobre Formação Discipular e aqui, a segunda entrevista, com a Pastoral da Criança), o coordenador da Comissão Arquidiocesana de Liturgia e Secretário do Setor de Liturgia do Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Marcelo Mito, trata sobre o ano de reflexão e planejamento de 2019 e das ações para este novo ano que inicia, como a atualização do hinário arquidiocesano e as formações litúrgicas.

1. É possível fazer uma avaliação das ações realizadas pela Comissão de Liturgia em 2019 e o que pretende ser realizado em 2020?

Marcelo Mito – Em 2019, as ações da Comissão Arquidiocesana de Liturgia não se deram tanto no âmbito externo, mas sim interno. Foi um ano de reflexão e planejamento da Comissão. No dia 11 de maio realizamos, sob a coordenação do Setor de Música Litúrgica, o Ensaio de Cantos Arquidiocesano, que indicou os cantos próprios para Solenidades e Festas II (da Solenidade de São José a Festa da Transfiguração do Senhor); e o mesmo setor continuou as gravações de vídeos em seu canal no YouTube, dos salmos dominicais. Não oferecemos formações a nível arquidiocesano para estar em plena sintonia com nossa Arquidiocese, que em 2019, focou seus esforços pastorais na Formação Discipular. Acreditamos que este itinerário, proposto por nossos Bispos e pela Coordenação de Pastoral, também iria auxiliar muito na compreensão e vivência da liturgia nas comunidades. Estivemos presentes na Comissão Ampliada da IVC (Iniciação à Vida Cristã) da Arquidiocese, pois compreendemos que o verdadeiro caminho de iniciação cristã se dá através da plena integração entre Liturgia e Catequese. Para 2020, nossa Comissão tem algumas ações e grandes desafios. Em sintonia com a Coordenação Arquidiocesana de Pastoral, preparamos um Curso de Liturgia, que acontecerá na Livraria Paulus de Porto Alegre, de abril a novembro (uma vez por mês, aos sábados pela manhã), tendo como público alvo, os coordenadores de liturgia de nossas paróquias (para mais informações, envie um e-mail para eventos.portoalegre@paulus.com.br). Também para este ano que iniciamos, temos um grande desafio, que é a atualização do Hinário Arquidiocesano, o nosso Livro de Cantos ACC (A Comunidade Canta). Nos últimos anos, uma comissão regional (CNBB Sul 3), da qual participa o presbítero de nossa Arquidiocese e Coordenador do Setor de Liturgia Regional, Padre Luciano Massullo, vem coletando cantos dos diversos hinários das dioceses gaúchas e alguns nacionais, que estão em plena sintonia com a Liturgia, a fim de ter uma coletânea de cantos próprios para cada tempo litúrgico, e assim oferecer um repertório-base para nossas dioceses atualizarem seus hinários. Sendo assim, impulsionados e guiados por nosso Arcebispo, nossa Arquidiocese inicia o processo de atualização do Livro de Cantos ACC. A partir de 2020, coordenado pelo Setor de Música Litúrgica, iniciamos uma grande caminhada, que envolverá toda Arquidiocese. Não queremos fazer a atualização sozinhos, mas contando com a contribuição e parceria do clero e de todas as nossas paróquias e comunidades. Nosso Arcebispo enviou uma carta ao clero comunicando este processo, e posteriormente enviaremos um pequeno questionário para as paróquias, para partilharem conosco sua caminhada de canto litúrgico e também darem suas contribuições de cantos. Vamos construir juntos, a atualização do ACC, unindo a caminhada de nossa Arquidiocese (com sua história e com suas comunidades e paróquias) e também aquilo que nos pede a liturgia, para que nossas assembleias possam melhor celebrar o Mistério Pascal, cantando a liturgia. Para melhor acontecer este processo, a atualização do ACC se dará em partes (seguindo os ciclos do Ano Litúrgico), neste ano de 2020 iremos focar nossos esforços nos cantos do Ciclo do Natal (Tempo do Advento e Natal). Este processo de revisão e coletânea de cantos também será acompanhado de Formações e Ensaios de Cantos. 2. Como explicar a importância da Liturgia em tempos de indiferença religiosa ou mesmo de desconhecimento da tradição católica?

Marcelo Mito - “A Liturgia é simultaneamente a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde brota toda a sua força” (SC, 10). Na liturgia, a Igreja expressa e proclama a fé na Paixão, Morte e Ressurreição do seu Senhor; como Corpo Místico, ela recebe Dele, no Pão da Palavra e no Pão da Eucaristia a coragem e a força necessária para testemunhá-lo ao mundo. Mas esta força e coragem não são impostas, são Graças oferecidas continuamente. A Participação nas Celebrações Litúrgicas, especialmente, na Celebração Eucarística devem nos configurar cada vez mais a Cristo. É a Liturgia o ambiente favorável dos Discípulos Missionários; pois “todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha” (1Cor 11, 26). Proclamamos também com nossas vozes, mas principalmente com o nosso modo de viver, nos mais diversos âmbitos de nossa vida. São Lucas no Livro dos Atos dos Apóstolos nos relata que os membros das primeiras comunidades, “eram perseverantes...na fração do pão e nas orações” (cf. At 2, 42), eram reconhecidos pela maneira de ser e de viver: “Vejam como eles se amam”(Tertuliano, Apolog. 39). Não podemos mais viver mediante a ruptura entre fé e vida. Como nos apresenta as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2019-2023), a liturgia nos é apresentada como expressão da espiritualidade dos Discípulos Missionários no seguimento de Jesus Cristo (cf. DGAE, 96). A indiferença religiosa é um fenômeno dos nossos tempos e está inserido dentro da cultura urbana, um contexto muito desafiador para nós, batizados e evangelizados. Ao mesmo tempo que, constatamos uma grande sede de Deus em nossa sociedade, também entre os batizados não evangelizados. A Igreja deve ser a Casa da Acolhida, que olha com ternura os marginalizados e sedentos ao longo do caminho. Nosso Arcebispo Dom Jaime Spengler, tem dito reiteradas vezes que em nossas liturgias muitas vezes “celebramos muitas missas e pouca Eucaristia” (cf Fala do Arcebispo na Reunião do Conselho Arquidiocesano de Pastoral, 9 de novembro de 2019). Dom Jaime, com suas palavras, não está desmerecendo o valor e a importância da Celebração Eucarística, mas alerta para algo importante, que muitas vezes nos tornamos como que “funcionários do sagrado”, nos ocupamos e nos pré-ocupamos em fazer tantas coisas, na liturgia, por exemplo, que nos esquecemos das lições que brotam da Eucaristia. Precisamos revisitar, as primeiras comunidades, com elas iremos aprender também muito de liturgia. Precisamos deixar que Cristo fale na liturgia; ela não é propriedade nossa; e que ela seja expressão de nossa espiritualidade, assim iremos nos converter para o Senhor e atrair para Ele mais Discípulos Missionários. 3 - Em nossa Arquidiocese convivem paróquias com realidades muito diferentes, algumas em um contexto bem urbano, outras em regiões bem periféricas e empobrecidas e outras, ainda, em área rural, o que reflete tanto no perfil de seus fiéis quanto na forma de rezar. A Liturgia pode ser adaptada nestes cenários? Marcelo Mito - Nossa Arquidiocese tem um rosto e tem uma história muito bela. O Evangelho vivido e testemunhado em nosso chão, marcou e marca decisivamente a vida de tantos irmãos e irmãs, que com seu jeito de ser e de viver anunciam a sua fé em Jesus Cristo. Como coordenador da Comissão de Liturgia, tenho tido a graça de conversar com muitas lideranças leigas de nossos quatro Vicariatos e conhecer como celebram diversas comunidades. Mesmo nossa Arquidiocese tendo um rosto em comum, concordo que cada comunidade paroquial tem uma forma de ser e de viver, e isso se reflete muitas vezes na maneira, no jeito de rezar, de celebrar. O contexto urbano, como nos indicam as Diretrizes Gerais, chegaram até em âmbito rural; tudo está interligado. “É necessário promover uma liturgia essencial, que não sucumba aos extremos do subjetivismo emotivo nem tampouco da frieza e da rigidez rubricista e ritualística, mas que conduza os fiéis a mergulhar no mistério de Deus, sem deixar o chão concreto da história de fora da oração comunitária” (DGAE, 162). A forma de como conduzir uma celebração litúrgica está dada nos livros litúrgicos, mas não podemos perder de vista o contexto pastoral no qual estamos inseridos, por isso é importante beber do sentido fundamental da liturgia. É o próprio Jesus Cristo, Mestre e Senhor, que vem a nós na liturgia onde celebramos os seus Mistérios. A reforma litúrgica conciliar evoca um conceito chave: Participação. Para que a desejada Participação plena, consciente, ativa e frutuosa dos fiéis aconteça é necessário uma compreensão do que se está celebrando, isto passa por uma Educação Litúrgica, na linguagem do concílio. É fonte de atenção da Igreja, fazer com que esta participação aconteça. Se fala muito em adaptação, desde então, entretanto, estamos num terreno complexo e difícil (cf. Doc. 43: Animação da Vida Litúrgica no Brasil, 164), mas "não é desejo da Igreja impor, nem mesmo na Liturgia, a não ser quando está em causa a fé e o bem de toda a comunidade, uma forma única e rígida, mas respeitar e procurar desenvolver as qualidades e dotes de espírito das várias raças e povos" (SC, 37). Toda adaptação deve ser acompanhada de muita formação e conhecimento do sentido fundamental da liturgia, seguindo vários critérios que respeitem o mistério celebrado, não caiam num "criativismo" que não evidencia o Mistério Pascal do Senhor. Temos que lembrar que "o motivo para mudar palavras, gestos, sinais e ritos não é o gosto das pessoas celebrantes ou a moda em voga em determinados momentos, mas a maior participação no culto a Deus integrado em nossa vida atual" (Doc. 43: Animação da Vida Litúrgica no Brasil, 167). A adaptação deve estar a serviço da liturgia, e não o contrário; a serviço da plena, consciente, ativa e frutuosa participação que nos coloca em comunhão com a Arquidiocese e a Igreja Universal. É desejo da Igreja que a participação na vida litúrgica nos faça sempre mais Discípulos (passa por uma conversão pastoral) e não adeptos, e motive nossos corações a um empenho sempre mais missionário. O Pão da Palavra e da Eucaristia que o Senhor partilha conosco, deve se traduzir no pão que alimenta o corpo e que devemos partilhar com aqueles que mais sofrem. 4 - Sabemos que a formação é um dos principais desafios de nossa Liturgia. Só compreende o sentido e a riqueza de nossa Igreja quem a estuda e a vive. A Comissão oferece ou indica formações para o ano que inicia? Marcelo Mito - Com certeza, a formação litúrgica é um elemento importante no processo de compreensão da liturgia. Mas precisamos analisar com calma e serenidade ao falarmos de formações, especialmente sobre liturgia. Não podemos simplesmente dar formações sem critérios, pois podemos cair num “rubricismo” vazio de sentido. Formações de Liturgia não se resumem a um “pode ou não pode”, a dizer, por exemplo, “quantas velas vão no altar”. A liturgia não se resume a isto. Sabemos que em tempos tecnológicos, nós temos todo e qualquer tipo de informação na palma de nossa mão. É só abrirmos o principal buscador na internet e veremos uma infinidade de formações e informações litúrgicas, em textos e vídeos. Muitas vezes formações que não estão em sintonia com a caminhada da Igreja, não estão em sintonia com o Concílio Vaticano II. Muitas formações equivocadas, que estão a serviço de gostos e preferencias particulares. Vivemos em tempos tão polarizados, que infelizmente se refletem, também em nossa compreensão da liturgia. Ouvimos vozes saudosistas de um tempo que a maioria não viveu. O Papa Francisco nos alerta que as formações litúrgicas não podem acabar em polarizações ideológicas, mas sim, “o ponto de partida (das formações litúrgicas) é reconhecer a realidade da sagrada liturgia, tesouro vivo que não pode ser reduzido a gostos, receitas nem correntes, mas deve ser ouvido com docilidade e promovido com amor, porque é alimento insubstituível para o crescimento orgânico do Povo de Deus” (Discurso do Papa Francisco aos Membros da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, 14 de fevereiro de 2019). É verdade que só se compreende o sentido e a riqueza da nossa Igreja quem a estuda e a vive. A vivência e a formação devem andar juntas, de mãos dadas, e não separadas, mas num constante e frutuoso diálogo (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 231-233). É deste profundo diálogo entre vida e estudo, entre teoria e prática que devem nascer as formações. Neste percurso, a Mistagogia tem um papel fundamental, pois a partir da vivência e celebração dos Sacramentos de nossa Fé, vamos descobrindo o sentido que o Senhor (o Grande Mistagogo), nos revela em cada gesto, em cada sinal, em cada prece e em cada ação ritual, que com Ele e Nele inseridos (Corpo Místico) celebramos. Por isso, a partir da caminhada da Igreja e de nossa realidade pastoral, como Igreja Arquidiocesana, a Comissão de Liturgia oferece formações, não para acumular conhecimento, mas para auxiliar na compreensão do que celebramos, para que em nossas liturgias seja evidenciado o Rosto do Crucificado-Ressuscitado, o seu Mistério Pascal, na vida e no coração de cada um de nós. É neste sentido que nossa Comissão oferece e irá oferecer algumas formações durante este ano de 2020. 5. Como as comunidades paroquiais podem ter acesso aos membros da Comissão de Liturgia a fim de pedir apoio, formação ou subsídio para o dia a dia? Marcelo Mito - Nossa Comissão Arquidiocesana de Liturgia tem representantes, presbíteros e leigos, em todos os Vicariatos de nossa Arquidiocese, e no Vicariato de Porto Alegre, por ter um grande número de paróquias e comunidades, tem representantes por Áreas Pastorais. Até o presente momento a comissão está assim constituída: Referencial Arquidiocesano: Padre Gustavo Alves Batista; Coordenador Arquidiocesano: Marcelo Meireles Mito. Vicariato de Guaíba: Referencial: Pe. Gustavo Alves Batista e Coordenadora: Sra. Eunice Elizeu; Vicariato de Canoas: Referencial: Pe. Lizandro Goularte e Coordenadores: Sr. André Martinelli e Sra. Marisa Pohlmann; Vicariato de Gravataí: Referencial: Pe. Manoel Scheimann e Coordenadora: Sra. Vera Prates; Vicariato de Porto Alegre: Área Centro: Referencial: Pe. Luciano Massullo e Coordenadora: Sra. Ana Maria Lenz; Área Sul: Referencial: Pe. José Antônio Sauthier e Coordenadora: Sra. Isolde Horlle; Área Leste: Referencial: Pe. Hermeto José Mohr e Coordenadora: Sra. Norema Vian; Área Oeste: Referencial: Pe. Carlos Feeburg e Coordenador: Sr. Marcelo Meireles Mito; Área Norte: Referencial: Pe. Kauê Antoniolli e Coordenadora: Sra. Denise Gregory. E ainda participam da comissão o Referencial Arquidiocesano para os Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão: Pe. Márcio Andrade; o Coordenador do Setor de Música Litúrgica da Arquidiocese: Sr. Humberto Teixeira; e contamos com a colaboração do Seminarista Aluísio Negrete Cabreira. Estamos com uma Página no Facebook: Comissão de Liturgia – Arquidiocese de Porto Alegre. No YouTube: Comissão de Liturgia – Música Litúrgica. Para contato temos o e-mail da Comissão: liturgiapoa@arquipoa.com

(Fotos: Marcelo Mito e Eduardo Lorenzetti)

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