Clero em tempos de pandemia: pesquisa revela cuidado com o povo e criatividade apostólica

“Como ser Igreja quando se impõe fechar os templos para proteger a vida?”

Diante deste desafio, a Coordenação da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Porto Alegre consultou o clero sobre suas ações ao longo do período da quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus (COVID-19). Das 160 paróquias consultadas, em pesquisa realizada entre os dias 29/04 e 20/05, 125 responderam o levantamento.

"Uma das formas de cuidar de nossos padres e diáconos é inspirá-los a sempre fazer mais e melhor pelo povo", afirmou padre Ilário Flach, coordenador da Ação Evangelizadora. "Seguindo a orientação de nosso arcebispo Dom Jaime Spengler, precisamos utilizar de muita criatividade apostólica para superar este tempo de provação", finaliza.

Conheça os principais resultados da pesquisa, dividida pelas temáticas "O contato com os paroquianos", "A caridade de nossas paróquias", "O sustento das paróquias".

1- O contato com os paroquianos

“A proximidade afetiva não se desfaz com o isolamento social. Não paramos de atender as pessoas, apenas agregamos mais formas e instrumentos para realizar esse serviço. Podemos dizer que o atendimento aos fiéis está se tornando mais diversificado e mais qualificado.” (Padre Ilário Flach, coordenador da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Porto Alegre)

Com a restrição do contato pessoal, muitos padres relataram que as mídias sociais e o telefone têm auxiliado a manter as pessoas próximas da Igreja, para que ela possa ajudá-las a superar seus sofrimentos.

No levantamento, padres contam que seguem visitando doentes e idosos para levar a Sagrada Comunhão e também para o Sacramento da Unção dos Enfermos. Todos os cuidados sanitários estão sendo respeitados. A tecnologia é utilizada para atendimentos on-line e personalizados, em chamadas pelo WhatsApp, recebimento de intenções para as missas e para responder perguntas feitas pelos paroquianos.

Como muitos fiéis não são alcançados pelas mídias sociais, o telefone volta a ser um eficiente meio de aproximação. Por meio dele, o clero vem fazendo contato com as lideranças das paróquias e dando atenção aos deprimidos e demais atendimentos.

Outras iniciativas citadas para manter o vínculo das famílias com a paróquia:

- Envio de comunicações da paróquia e dos paroquianos.

- Parabenização pelos aniversários.

- Envio de sugestões de atividades em casa.

- Criação de canal no Youtube para transmitir mensagens de esperança.

- Multiplicação dos vídeos "Olhar da Fé", produzidos pela Ascom.

Ações para fortalecimento das Igrejas Domésticas:


Por toda parte, a experiência da Igreja doméstica fortalece-se. Deus é Pai e Criador! Que a criatividade do seu Espírito continue inspirando ações para superar este tempo de provação. (Padre Ilário Flach, coordenador da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Porto Alegre)

- Oferta de espaço no Facebook da Paróquia para postar fotos das "igrejas domésticas" da comunidade.

- Participação pela internet de encontros de famílias on-line.

- Toque dos sinos para que as famílias se unam em oração na mesma hora.

- Oração do terço no mesmo horário em que grupos da paróquia estão rezando.

- Grupos de Leitura Orante pelo Whatsapp.

- Envio semanal via WhatsApp das Celebrações da Palavra em Família, conforme subsídio da CNBB.

- Compartilhamento de vídeos com testemunhos de Igreja Doméstica.

- Compartilhamento de vídeos com testemunho de padres e pessoas ligadas à paróquia.

- Envio de áudios: oração da manhã, homilia do pároco e resumo da homilia da missa do Papa.

- Missas dominicais por meio do aplicativo Zoom, com a participação dos paroquianos em suas casas fazendo as leituras, as preces, os cantos. Após a missa, diálogo e encontro.

- Campanha de fotos nos bancos da igreja.

- Novena on-line em honra ao padroeiro.

- Procissão on-line com o Santíssimo, a imagem do/a padroeiro/a para conduzir a bênçãos para famílias em suas casas.

- Meditações diárias de 30 minutos pelo Facebook.

Atividades ligadas à formação:

- Lives (vídeos ao vivo) pelo Facebook sobre assuntos da fé.

- Carta mensal colocada na caixa do correio dos dizimistas junto com o envelope do dízimo.

- Envio de material para reflexão para as famílias dos catequizandos.

- Formação de grupos de discipulado on-line.

- Assessoria para os que não sabem usar recursos eletrônicos de comunicação social para que possam se relacionar com a paróquia.

- Criação de um canal de estudo bíblico no Facebook com boa produção de vídeo, de forma voluntária, com publicação semanal de episódios sistemáticos em Bíblia.

- Investimento em materiais humanos e tecnológicos para transmissão mais qualificada.

- Transmissão de vídeos curtos direcionados a categorias de trabalhadores/as das áreas de segurança, saúde, comunicação, educação.

Mobilizações para manter reuniões e encontros de Movimentos:

- Algum encontro presencial com poucas pessoas, respeitando uso de máscara e distanciamento mínimo de dois metros.

- Reuniões virtuais por meio do Zoom, Meet ou Skype.

- Vídeo-chamadas.

- Distribuição de tarefas on-line.

- O Grupo ONDA, o Grupo CLJ, ENS, MCJ e alguns grupos pastorais e da Formação Discipular tem feito alguns momentos de partilha ou de oração de maneira on-line.

2- A caridade de nossas paróquias


A caridade torna-se mais necessária, urgente e abrangente. Tudo passa, mas a caridade permanece sempre (cf Cor 13,1-13). (Padre Ilário Flach, coordenador da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Porto Alegre)

Agravada pela necessidade de isolamento, a situação de pobreza vem com mais frequência bater na porta de nossas igrejas. Os pobres se multiplicaram. Os desempregados buscam uma forma de manter seus rendimentos. Sensível a estas situações, o clero vem mobilizando suas paróquias para que as ações sociais não parem e que todos possam ser assistidos com o básico necessário.

Além das tradicionais campanhas para arrecadação de todos os tipos de mantimentos, há iniciativas para confecção e distribuição de máscaras, entrega de vale-gás e até o fomento para que paroquianos da área da saúde possam estar mais próximos de quem precisa. Veja alguns exemplos:

- Paroquianas médicas auxiliando por telefone.

- Fisioterapeuta ajudando idosos com exercícios de fortalecimento do sistema respiratório por vídeo-chamada.

- Paroquiana psicóloga ajudando no acompanhamento por telefone de alguns paroquianos mais solitários com sintomas de depressão ou tristeza.

"Tem-se organizado redes de solidariedade. Um exemplo: cada um tem papel importante no trabalho social. Os mais novos, fora do grupo de risco, preparam as cestas básicas e as entregam. Todos tentam mobilizar a comunidade para arrecadar as doações. As idosas, mesmo em seu necessário isolamento social costuram mascaras de TNT e pano, tanto para as famílias acolhidas como para voluntárias na linha de frente no trabalho de rua. Quem não costura, fabrica sabão e detergente líquido, para higiene das famílias acolhidas." (Relato de um padre que participou da pesquisa)

Outras indicações e gestos de caridade que nos inspiram:

- Auxílio a paróquias onde a pobreza é maior.

- Parcerias com supermercados, tanto para entregar como para doar alimentos.

- Auxílio a hospitais, fazendas terapêuticas, fundações, geriatrias, ONGs com moradores de rua, recicladores e até circo.

- Auxílio aos Irmãos e Irmãs da Fraternidade O Caminho, no cuidado com a população de rua.

- Arrecadação de alimentos para Fonte Colombo e a Fundação Fé e Alegria.

- Auxílio no pagamento de aluguéis.

- Café da manhã, sopa, quentinhas para a população de rua.

- Disponibilização de espaço para higiene pessoal, com possibilidade de banho para população de rua.

- Distribuição de remédios da farmácia comunitária.

- Distribuição do arroz recebido da Cáritas.

- Atendimento aos migrantes (encaminhados para a Pompeia e Sta. Clara).

- Arrecadação e distribuição de fraldas geriátricas e infantil.

- Rede de arrecadação de alimentos ou valores financeiros por Whats e Facebook.

- Paroquianos mais jovens têm feito plantão na paróquia: recebem, contam, transportam e entregam.

- Voluntários mais jovens têm ajudado a fazer compras, pagar contas e comprar remédios.

- Prestação de contas dos serviços pelas redes sociais.

- O pároco tem feito a distribuição de alimentos e roupas onde a pastoral é de grupo de risco.

- Onde não existe equipe, faz-se a arrecadação de alimentos, material de higiene e limpeza e se encaminha para os líderes de comunidades pobres.

- Destaque para o envolvimento de alguns movimentos, principalmente de jovens.

- Grande parte das pessoas que colaboram não participa da paróquia, mas veem a comunidade como parceira dos que sofrem.

- Os paroquianos participam indicando quem está precisando.

- Recolhimento de doações a domicílio, na vizinhança, prédios e condomínios.

- Reparação de quentinhas na cozinha do salão paroquial.

Perguntados sobre o que mais preocupa neste tempo de pandemia, a principal dificuldade é a falta de leigos para ajudar, já que a maioria dos paroquianos engajados são idosos e de grupos de risco. Outra questão que aflige o nosso clero é o evidente aumento da pobreza e a incapacidade de ajudar a todos. Vejamos outras inquietações:

- O medo de se expor, tanto da equipe como quem colabora.

- As maiores dificuldades são financeiras.

- Dificuldade de contato com quem não usa redes sociais, especialmente idosos.

- Os aproveitadores: querem doações sem necessitar; sem um cadastro único muitos buscam em diversos lugares e outros acabam não recebendo.

- A carga de trabalho sobre o pároco (centralização).

- A queda nas doações de alimentos devido ao fechamento da igreja.

- A aglomeração das pessoas na hora de entregar as cestas.

- Pessoas com vergonha de pedir ajuda. Aí os paroquianos indicam e entramos em contato.

- Famílias desassistidas em lugares remotos.

- Pároco e vigário novos na Paróquia. Não sabem com quem é possível contar.

- A paróquia é muito nova e tem poucos líderes.

- A impossibilidade de reunir os grupos para oficinas e reuniões.

- O contato físico com pessoas carentes que não têm condições para sua própria higiene.

“A partir das observações coletadas, sente-se a necessidade e a urgência de fortalecer a Igreja doméstica; a dinamização e fortalecimento do exercício da caridade e da solidariedade; a importância da iniciação à fé; a necessidade de promover conscientização a respeito do vírus que se instalou entre nós e de cuidado para com a saúde de todos, pois certamente passaremos de uma situação de pandemia para a realidade de mais uma endemia.” Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano

3- O sustento das paróquias

Na temática que trata das necessidades materiais das paróquias, destaque para os relatos do clero que afirma que, infelizmente, a pandemia e a consequente diminuição das ofertas e do dízimo os obrigou a usar os recursos que estavam guardados e destinados a reformas das igrejas e demais estruturas. Outro depoimento comum entre diversos padres é que muitos deles, sensíveis ao momento que vivemos, abriram mão de seus salários, vivendo apenas com o sustento básico necessário. Abaixo, outras respostas à pesquisa:

- Os aluguéis pagos pela paróquias foram reduzidos ou cancelados pelos proprietários.

- Aumentou a confiança na Providência Divina.

- Ofertas, coletas, taxas, intenções infelizmente desapareceram

- Sente-se falta das receitas oriundas das festas para sustentar as contas da paróquia

- Estamos recebendo ajuda de outras paróquias

Com relação ao dízimo, esta importante forma de pertença de um fiel a sua Igreja, o que o levantamento revela é que houve muita oferta de doação por depósito ou transferência bancária; que em muitos casos os envelopes seguem sendo entregues na secretaria paroquial ou na própria igreja; que, mesmo parcialmente, o dízimo ainda sustenta a paróquia; e que, para manter o recebimento da oferta, os envelopes estão sendo recolhidos nas casas.

Mas e o que de novo está sendo feito e o que sugerem os padres envolvidos na pesquisa com relação ao recebimento geral de recursos financeiros? Abaixo, alguns depoimentos:

- Solicitação aos dizimistas por meio do contatos via rede social e carta mensal.

- Evento/promoção em que o prêmio é levado na casa.

- Está sendo uma oportunidade para implantar a Pastoral do Dízimo, rejuvenescer o grupo e completar cadastros.

- O uso de carnê tem funcionado bem.

- Confecção e venda de máscaras.

- Solicitação de auxílio com amigos.

- Criação do site da paróquia, o que facilitou a informação e a doação.

(Foto: Nossa Senhora do Trabalho)



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