“Quanto vale a vida?”: Live trata do tráfico humano

A Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza nesta quarta-feira (29), às 19h, a live: “Quanto vale a vida?”, para falar sobre a realidade do tráfico de pessoas. A transmissão ao vivo terá as participações do bispo da prelazia do Marajó (PA) e presidente da CEPEETH, dom Evaristo Pascoal Spengler, da irmã Eurides Alves de Oliveira, que é membro da Comissão, e de Roberto Marinucci, do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios.


O evento online faz parte da campanha “Quanto vale a vida?” que iniciou no dia 27 e segue até o dia 31 de julho. O objetivo é mobilizar e sensibilizar a Igreja do Brasil, assim como toda a sociedade brasileira, para o enfrentamento ao tráfico de pessoas na semana do Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, 30 de julho. A campanha também pretende chamar a atenção do poder público para a promoção e inclusão social das vítimas e a garantia de seus direitos.

Será possível acompanhar pelo Facebook e pelo YouTube da Cáritas Brasileira. Durante a partilha online, haverá a contextualização sobre a realidade do tráfico de pessoas, resgate da missão da Igreja presente nessa temática e as modalidades do tráfico de pessoas.


No mesmo dia, a Comissão convida para a realização de um gesto concreto: acender uma vela e, em oração, fazer um minuto de silêncio pelas vítimas do tráfico de pessoas. Pede-se que tire uma foto da luz e publique em suas redes sociais com as hashtags: #TraficoHumanoNão e #Endhumantrafficking #CNBB. Diante da gravidade desse crime, a Comissão pede uma atuação firme das instituições públicas, para que haja um efetivo combate a esse mal e a punição de agentes criminosos.



O tráfico humano desumaniza e transforma as pessoas em objetos, arrancando-lhes a dignidade e a liberdade, dois direitos essenciais. O tráfico de pessoas tem várias finalidades, como a exploração sexual, o trabalho escravo, o trabalho doméstico, a comercialização de órgãos e a adoção ilegal, entre outras. A maioria das vítimas do tráfico de pessoas identificadas no mundo é composta por mulheres, crianças e adolescentes, aliciadas para a exploração sexual. Em segundo lugar, vem a finalidade do trabalho escravo.

O Papa Francisco atribui enorme importância ao drama de milhões de pessoas – homens, mulheres e crianças –, que são objeto de tráfico e outras formas de escravidão contemporânea. O tráfico de pessoas, afirma Francisco, é um flagelo “atroz, uma chaga”. Segundo o papa, não se pode responder ao tráfico de pessoas apenas com “compromissos solenemente assumidos”. “Devemos ter cuidado com as nossas instituições – e na verdade com todos os nossos esforços – para que sejam realmente eficazes na luta contra estes flagelos”. O tráfico de pessoas contraria a ideia de que “Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância” (Jo 10,10).

História de uma sobrevivente

A história de Jucilene mostra a violência da situação. Abusada e explorada sexualmente por um parente próximo, dos 10 aos 18 anos, foi expulsa de casa quando o denunciou. Aos 27 anos, apareceu uma oportunidade para que sua vida mudasse. Surgiu na porta da escola onde cursava o Técnico em Enfermagem uma proposta irrecusável: trabalhar no exterior, aprender um novo idioma e crescer profissionalmente. Ela aceitou o convite para mudar-se a Roma, Itália. 

Cerca de 30 dias depois do convite, ela embarcou e aterrissou em um pesadelo. “Quando chegamos ao apartamento em Roma, abriu a porta, entramos e ele a trancou. Estávamos sozinhos em um quarto escuro e abandonado. Quando me virei, ele segurava um revólver. Pegou meu passaporte, me espancou, me estuprou.”

Começava o trabalho escravo para a jovem. Por cerca de três meses, foi abusada sexualmente por seu aliciador, e, à noite, era negociada com outras meninas, nos “clubes” de Roma. “As meninas ficavam em fila, e os clientes olhavam por um buraco, escolhiam e íamos para os quartos que nem tinham camas, nada. Era no chão mesmo, era assustador o que faziam com a gente”, conta Jucilene que se via obrigada a injetar drogas nas demais meninas e em si mesma, para que pudessem suportar as diferentes formas de exploração sexual a que eram submetidas. Se quiser saber mais sobre a história acesse aqui https://bit.ly/3ji80dv. Ela concedeu a entrevista em 2013, mas até hoje ela sofre as consequências desse crime.


Leia aqui artigo sobre o tráfico humano e o dia 30 de junho, escrito por de Dom Adilson Pedro Busin, bispo auxiliar de Porto Alegre e membro da Comissão Especial sobre o Tráfico Humano na CNBB.

Assista ao vídeo da campanha:



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