Neste 12 de agosto, celebramos a Dedicação da Catedral Metropolitana

11.08.2016

Na Catedral a liturgia é celebrada como solenidade e nas demais igrejas da Arquidiocese como festa, ou seja, Ofício festivo do Comum da Dedicação, Missa do Comum da Dedicação, com Glória e Prefácio da Dedicação, leituras próprias à escolha no Lecionário (vol. III, p. 235-249).

 

 

SOBRE A DEDICAÇÃO DA CATEDRAL DE PORTO ALEGRE 

A dedicação de um templo, como hoje a comemoramos em relação à nossa Catedral, na verdade diz respeito a três casas, como dizia um monge cartuxo (Lanspergius) na primeira metade do século XVI. Três casas.

 

A primeira, o santuário material, consiste em uma construção reservada ao culto divino e à realização de outros atos que dizem respeito aos bens necessários à nossa salvação. É certo que se pode e se deve orar em qualquer lugar; não há lugar onde não se possa rezar, como ouvimos hoje no Evangelho. Mas é muito conveniente que tenhamos um local consagrado a Deus no qual, cristãos que formamos comunidade, possamos nos reunir, ouvir a sua palavra, louvá-lo e a ele orar juntos, e assim obter mais facilmente o que pedimos, como se lê no Evangelho: Se dois ou três dentre vós se põem de acordo para pedir alguma coisa, haverão de obtê-la de meu Pai[1].

 

A segunda casa de Deus é o povo, a comunidade santa, que no templo realiza sua unidade, guiada, instruída e alimentada por um só pastor ou bispo. É a morada espiritual, da qual o templo, a igreja material, de pedra (ou de madeira...) é o sinal. O Cristo construiu para ele esse templo, a comunidade cristã, um templo espiritual; ele reuniu esse povo na unidade e o consagrou ao adotar todas as almas que deviam ser salvas e santificá-las. Essa morada é formada pelos escolhidos por Deus, passados, presentes e futuros, congregados na unidade da fé e da caridade nesta igreja una, filha da Igreja Universal ou Católica, e que se torna assim uma só com a Igreja Universal. Cada Igreja Diocesana ou Igreja Particular forma, com todas as outras a única Igreja Universal, que é como que a Mãe de todas as Igrejas.

 

Ao celebrarmos a dedicação de nossa igreja e, cada ano, o seu aniversário, não mais fazemos que, em ação de graças, no meio de hinos e de louvores, nos lembrar da bondade que Deus manifestou ao chamar este pequeno rebanho para que o conhecesse. Concedeu-nos a graça não somente de nele crer, mas também de o amarmos, de nos tornarmos seu povo e seu rebanho, guardarmos seus mandamentos, trabalharmos e sofrermos por amor a ele, e de nos alegrar com ele.  

 

A terceira casa de Deus é cada alma santa, devotada a Deus, consagrada a ele pelo batismo, tornada templo do Espírito Santo e morada de Deus. Quando celebramos a dedicação dessa terceira casa, que se realizou em nós pelo batismo e pela confirmação, lembramo-nos do favor que de Deus recebemos: que ele nos escolheu, a cada um de nós, para em nós habitar mediante a sua graça.

Cristo, o Senhor, porque quis habitar em nós, dizia, como que para dar forma a sua construção: Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros[2]. É um mandamento que eu vos dou. E esta casa, como o mesmo Jesus predisse e prometeu, está edificada no mundo inteiro, espalhada pelo mundo inteiro. Cantar é próprio de quem ama, como diz Santo Agostinho. Cantai ao Senhor um canto novo, diz o Salmo. Um canto novo correspondente ao mandamento novo, o do amor. O que nos permite cantar celebrando a dedicação do templo material é o amor, é o fervor do santo amor. O que vemos realizado fisicamente nas paredes do templo de pedra deve realizar-se espiritualmente com as almas; o que vemos aqui realizado com as pedras e os tijolos é o que deve ser realizado em nossos seres inteiros, com a graça de Deus. 

 

 

 

SUGESTÃO DE COMENTÁRIOS PARA A MISSA

 

Esta construção que nos abriga é uma casa de oração. Não uma casa para abrigar estátuas de deuses, como o faziam gregos e romanos, mas para abrigar um povo que aceitou o ensinamento do Cristo, cujos membros foram consagrados pelo Batismo e pela Unção com o Crisma. 

 

De fato, como veremos nos textos bíblicos que ouviremos, a Igreja que realmente importa termos construída é a Igreja formada por homens que responderam ao chamado do Cristo para ouvir a sua Palavra e vivê-la, para formar um templo de pedras vivas, um povo que o Pai confia ao Filho, um povo que segue esse Filho. 

 

Entretanto, a igreja de pedras e de concreto é, também, um sinal, uma referência da presença evangélica no meio da cidade, no meio dos cidadãos: «aqui se reúne um povo de discípulos do Cristo».

 

E sob o mesmo olhar escrevi o comentário que precedeu as Leituras: Os justos, todos os que aderem ao Senhor, serão acolhidos na Casa dele, que é uma Casa de oração para todos os povos; é o tema da 1ª. Leitura. É a morada de Deus no meio do povo, como repetiremos no Salmo. Nós, os batizados, fomos integrados no edifício cujo alicerce são os Apóstolos e os Profetas, como ensina São Paulo e ouviremos na 2ª. Leitura. E é por isso que os cristãos podem adorar o Senhor em qualquer lugar: porque o adoram em espírito e verdade, ensina Jesus no Evangelho.   

 

A casa de Deus é casa de oração à qual são convidados todos os povos. Mas para integrar-se na sua família é preciso tornar-se justo, consagrar-se pelo sepultamento do velho homem, com o renascimento da água salvadora. Nessa casa podemos cantar, como esperamos poder cantar por toda a vida sem fim, ao participarmos da Ceia das núpcias do Cordeiro[3]: Como é bom estar na tua casa, ó Senhor: comer do teu pão e beber do teu vinho.[4]

 

[1] Mateus, 18, 19

[2] João, 13, 34     

[3] Apocalipse, 19, 9

[4] Cf. Eclesiastes 9, 7

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