Dom Dadeus Grings celebra jubileu no próximo dia 10 de setembro

25.08.2016

Sempre que participa de alguma atividade, Dom Dadeus Grings é parado por fiéis, entre eles membros do clero, para cumprimentos e fotos. É, sem dúvida, celebridade na Capital gaúcha, fruto do trabalho que desenvolveu ao longo dos 12 anos que atou como arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Porto Alegre.

 

Nascido Tadeu, em 7 de setembro de 1936 em Nova Petrópolis, o atual arcebispo emérito descobriu aos 18 anos que na certidão de nascimento era, na verdade, Dadeus, nome que assumiu e com o qual celebrará no próximo dia 10 de setembro 80 anos de vida, 55 anos de presbítero e 25 anos como bispo.

 

A comemoração será com missa e almoço no Santuário Santo Antônio do Pão dos Pobres, onde vive desde que deixou a Cúria Metropolitana, em 2013. Ordenado em Roma, viu de perto a realização do Concílio Vaticano II – e a desistência de muitos colegas que não se adaptaram à nova era. Dedica-se com amor e afinco às letras: são 36 livros e 20 cartilhas, além de artigos semanais no site da Arquidiocese.

 

Dom Dadeus Grings é arcebispo emérito de Porto Alegre. Foto: Amanda Fetzner Efrom

 

 

Na entrevista abaixo, fala um pouco do que viu e das metas que ainda tem. A maior delas? O céu.

 

Qual é o sentimento de comemorar 80 anos de vida, 55 anos de padre e 25 anos de bispo?

Dom Dadeus - É um grande jubileu. Como diz Dom Jaime (Spengler, arcebispo de Porto Alegre), são 160 anos. O tempo passa muito depressa. São Paulo diz que o tempo presente tem o peso de eternidade, vale pra sempre. Cada momento tem o seu valor. A novidade que Cristo trouxe para o mundo foi exatamente a valorização do tempo, porque para os pagãos, os gregos, o tempo era uma divindade, o Chronos, que devora tudo, envelhece tudo, estraga tudo. Eles queriam se libertar do tempo. Então Cristo veio ao mundo e se encarnou, assumiu, viveu no tempo, e tornou o tempo graça, Kairós, tempo de graça, de crescimento para a eternidade. Por isso vale a pena cada momento. A vida é tão rica, não pode ser vivida de uma vez só. Cada etapa tem seu valor específico. Qual o tempo melhor, a melhor idade? Não tem. É uma só, é hoje. O passado já foi, o futuro ainda não é.

 

Ficou alguma coisa que não deu para fazer, que ainda quer realizar?

Dom Dadeus - A gente tem que ter a humildade de saber que não consegue fazer tudo. O bom é que o ser humano tem duas qualidades grandes. Uma delas é a memória, então olha o passado – e nosso passado enriquece o presente. Quem não tem passado não tem presente. Quanto maior o passado, melhor o presente. Então cultivar essa memória. Esses festejos que os padres fazem nos jubileus são para valorizar essa memória do passado. Mas nós não só temos o passado, temos o futuro. O ser humano vive de projetos.

 

E qual é o seu projeto?

Dom Dadeus - Eu agora estou na idade do “já que”, já que estou disponível, o que vem, vem bem. A gente vai escrevendo, escreve umas obras. Tem sempre bastante assunto para escrever para os diversos sites que a gente alimenta. Mas agora o projeto mesmo é a eternidade, é olhar pra frente. Nós somos alegres pela esperança, porque o futuro é o definitivo. O tempo, então, da velhice, é o tempo mais propício. Saber valorizar este tempo que a gente está vivendo. O momento de ser emérito, de não ter nenhuma responsabilidade, é um momento muito particular, rico para a gente aproveitar e usufruir a vida como ela é. O projeto então é o céu.

 

Que importância a literatura e os livros têm na sua vida?

Dom Dadeus - São dois motivos. Um é que escrevendo a gente clareia as ideias. Para ter ideias mais claras, mais sistemáticas, tem que escrever, e isso ajuda a gente a renovar continuamente o espírito e as ideias. Outra coisa é para difundir as ideias, é uma evangelização. Nós temos que anunciar o evangelho e minha preocupação foi essa, de colocar estas questões fundamentais para frente. Um autor dizia que ele ficava muito contente que mesmo dormindo estava evangelizando, porque alguém estava lendo alguma obra dele. Nesse sentido a gente quase até inconscientemente está evangelizando, os livros correm, os escritos são difundidos. O senhor acompanhou muitas transformações na Igreja.

 

 

Qual mudança na Igreja Católica o senhor considera a mais relevante nestes 55 anos como presbítero?

Dom Dadeus - A maior, claro, foi o Concílio Vaticano II. Eu estava em Roma na época. Naquele tempo nem se falava Vaticano II ainda porque só tinha um Concílio Vaticano. Quando o Papa João XXIII proclamou um concílio ecumênico se começou a discutir se era continuação do Vaticano, mas 100 anos depois ficaria meio estranho continuar um concílio porque a situação tinha mudado, o conteúdo era outro, então se decidiu fazer um novo concílio. Se mandou para o mundo inteiro um pedido de informações, para bispos, as congregações religiosas, seminários e universidades católicas, para darem contribuição: o que achavam que era importante debater no concílio. Foi um concílio gratuito, não surgiu por causa de um problema, para resolver um problema específico como foram quase todos os concílios anteriores. Esse concílio era realmente para a renovação, e o Papa dizia: “Vamos abrir um pouco a janela para entrar um ar novo”. Foi um grande momento para este amadurecimento da Igreja. O mundo inteiro se colocando ativo, a Igreja toda ativa para a sua renovação. O grande evento do século 20 foi o Concílio Vaticano II.

 

O que esperar daqui pra frente, quais os desafios a Igreja ainda vai precisar ultrapassar?

Dom Dadeus - A gente sabe que a Igreja é peregrina, ela tem que crescer continuamente. A missão dela é evangelizar, levar para o mundo inteiro a Boa Nova, e enquanto ainda existirem pagãos, a Igreja não terminou a sua missão. Mas talvez internamente tenha que evangelizar a si mesma.

 

Como é rotina do Dom Dadeus aposentado?

Dom Dadeus - Eu tenho uma missa na paróquia (Santuário Santo Antônio do Pão dos Pobres) todos os dias. Segundas-feiras celebro a missa no carmelo (Mosteiro Nossa Senhora do Carmo), faço uma palestra para as irmãs, um curso, depois atendo as confissões. Quintas-feiras eu atendo a ADCE (Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas), um almoço-palestra. E depois atendo aqui (na Cúria Metropolitana) no Tribunal Eclesiástico, temos as oitivas (depoimentos do processo), depois as sentenças que a gente vai elaborando. E ainda os compromissos eventuais, os convites.

 

Dá pra chamar de aposentadoria?

Dom Dadeus - A vantagem maior de ser emérito é que não tem a responsabilidade, não tem a administração, que pesa muito. Olhar todo o conjunto sempre e estar à frente, resolver os problemas antes que estourem, isso cansa, porque tem que estar sempre atento.

 

 

 

 

 

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