Ceia Pascal Judaica na Catedral de Porto Alegre reforça diálogo inter-religioso

Enquanto notícias de intolerância e violência crescem e atacam a pluralidade cultural e religiosa atual, em Porto Alegre a Arquidiocese e a Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência (Sibra) aproximam-se para desenvolver a cultura do encontro. Nos passos de São João Paulo II, do Papa Bento XVI e do Papa Francisco, a Igreja Católica busca concretizar o ensinamento da Nostra Aetate, a declaração do Concílio Vaticano II que sugere o diálogo fraterno com os judeus. A Ceia Pascal Judaica, tradicionalmente realizada nas sinagogas, terá como cenário neste ano o subsolo da Catedral Metropolitana de Porto Alegre, que serve de espaço de eventos culturais e sociais.

 

A celebração chamada de Pêssach, que recorda o êxodo do Egito, será no dia 11 de abril, às 19h30min. Os ingressos custam R$ 90 (R$ 70 para crianças de quatro a 12 anos) e já podem ser adquiridos na Cúria Metropolitana e na sede da Sibra (Rua Mariante 772, bairro Rio Branco). Cerca de 250 pessoas são esperadas para o jantar, que seguirá todos os rituais tradicionais, com comida típica e cânticos em hebraico e aramaico. “Este é um claro exemplo do que significa, na prática, o diálogo inter-religioso que existe em Porto Alegre. São fatos como esse que marcam, aproximam e que criam respeito entre as religiões”, destaca o líder religioso da sinagoga Sibra, Rabino Guershon Kwasniewski.

 

Rabino Guershon Kwasniewski e arcebispo Dom Jaime Spengler. Foto: Amanda Fetzner Efrom

 

 

A iniciativa surgiu diante da proposta de se promover um jantar da Páscoa judaica para apresentar o ritual aos cristãos da Arquidiocese. A ceia é um tributo à liberdade, afirma o rabino. Ao ouvir a narrativa do Êxodo, os judeus se ligam aos antepassados e refletem sobre a importância de viver em liberdade. “Devemos sentir como se nós mesmos tivéssemos saído do Egito, ou seja, devemos nos colocar no lugar do outro. Entendendo o que foi a escravidão, podemos desfrutar ainda mais a liberdade”, pondera Kwasniewski, ressaltando que esse não é apenas um valor judaico, mas universal.

 

Para o arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, a realização da Páscoa judaica na Catedral Metropolitana vai ao encontro do pedido do Papa Francisco. “Estamos construindo pontes, criando espaços de aproximação, de diálogo e também de fé”, enfatiza.

 

“Vivemos num mundo com pouco respeito pelo próximo”, afirma rabino

 

Tolerância tem sido uma palavra recorrente em todos os idiomas. Em diversos lugares do mundo as pessoas são incentivadas a tolerar quem tem outra raça, religião e posição política. Para o Rabino Guershon Kwasniewski, porém, deveríamos usar a palavra respeito. “A palavra tolerância tem uma conotação negativa. Quando digo que te tolero, quero dizer que tem algo em ti que me incomoda, mas eu me seguro e convivo contigo”, observa.

 

O líder religioso da Sibra destaca que conhecimento é o ponto-chave para o respeito. “Quando entro numa igreja, acompanho uma missa e conheço, me informo, estudo e apreendo sobre essa realidade, isso me leva a compreender melhor os rituais e a respeitar mais o meu próximo. Isso em qualquer religião”, pondera. Segundo o rabino, vivemos num mundo com pouco respeito pelo próximo, onde aquele que pensa e age diferente incomoda. Kwasniewski acredita que as lideranças têm a obrigação de aprofundar o diálogo e de tornar os caminhos para a convivência mais fáceis.

 

Kwasniewski avalia que o diálogo inter-religioso é uma realidade relativamente nova dentro da histórica. Ele observa que iniciativas como o Concílio Vaticano II e a declaração Nostra Aetate, que aproximaram o mundo católico às outras crenças, têm apenas 50 anos. “Avançamos muito e esses exemplos (da celebração da Páscoa Judaica num espaço destinado a eventos católicos) são uma forma de levar esse diálogo para o povo, de sair das salas e mostrar publicamente que esse diálogo é possível”, afirma o líder da Sibra, ressaltando que à medida em que se que caminha, se gera confiança. “Essa confiança derruba preconceitos”, argumenta.

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