Dom João Justino: “A pessoa não se esgota na capacidade técnica”

Eleito para o mandato 2015-2019 como presidente da Comissão para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom João Justino de Medeiros Silva foi um dos conferencistas do III Sulão da Educação, realizado em Porto Alegre nesta sexta-feira e sábado, 26 e 27 de maio. No encontro, abordou o tema “Pastoral da Educação no Brasil: suas opções e seus caminhos”, ao lado do assessor nacional da Pastoral da Educação da CNBB e coordenador do curso de Teologia da PUCPR, César Leandro Ribeiro.

 

Dom João Justino de Medeiros Silva fala sobre fé e educação. Foto: Amanda Fetzner Efrom

 

 

Em entrevista antes de tomar a palavra para os cerca de 50 educadores reunidos na capital gaúcha, Dom João Justino contou que, à caminho de Porto Alegre, teve oportunidade de reler o Documento 47: Educação, Igreja e Sociedade, publicado em 1992 e que insiste na importância na Pastoral da Educação nas dioceses. “Passados 25 anos desse texto nós ainda caminhamos relativamente pouco. Caminhamos, demos passos, mas ainda não é uma realidade forte a ponto de dizer que a Igreja no Brasil tem uma Pastoral da Educação muito viva”, observou.

 

Atualmente, a comissão presidida pelo arcebispo coadjutor de Montes Claros é organizada em quatro setores: Pastoral da Educação, Universidades, Ensino Religioso e Cultura. Essa estrutura, porém, não se repete nos regionais pelo país. “Temos uma pastoral muito ativa em diversas dioceses, como no Regional Leste 1 (Rio de Janeiro). Outros regionais estão se organizando. É o caso aqui dos regionais do Sul. Sobretudo com Dom Leomar (Brustolin, bispo auxiliar de Porto Alegre e referencial para a Educação e Cultura no Rio Grande do Sul) à frente, está dando uma arrancada”, salientou.

 

A seguir, Dom João Justino fala da importância da organização das ações, que tipo de educação a Igreja propõe e sobre qual deve ser a identidade das escolas católicas.

 

O que impede uma presença mais marcante da Pastoral da Educação no Brasil?

Dom João Justino de Medeiros Silva - Temos um conjunto de fatores. A presença da Igreja na educação é mais forte que a Pastoral da Educação. O que eu quero dizer? A Igreja sempre tem ações no campo da educação. Já a Pastoral da Educação significa a organização dessa presença. Em todas as dioceses a Igreja se faz presente no campo da educação. Como Pastoral da Educação, há um número de menor de dioceses. Uma das dificuldades é porque demanda pessoas que estejam à frente, compreendendo os processos e organizando. Quando se pensa em Catequese, Liturgia, Pastoral Familiar, por exemplo, olhamos para um universo mais interno da Igreja, mesmo que tenha um desdobramento social. Mas essas outras pastorais, que chamamos de pastorais de fronteira, pedem um laicato um pouco mais audacioso, corajoso e até um pouco mais formado.

 

Qual a importância de uma Pastoral da Educação organizada?

Dom João Justino - Sistematizar e organizar a ação, tendo claro o horizonte, como a Igreja pensa a educação, quais os valores que a Igreja apresenta para a educação, a visão de ser humano, de história, de sociedade que a Igreja tem e que são determinantes para a educação.

 

E quais são esses valores? O que a Igreja tem a propor?

Dom João Justino - Falamos da educação humanista integral. Isso quer dizer que, por trás de todo ato pedagógico, temos uma visão de ser humano. Quem educa, educa tendo um modelo de pessoa. A Igreja tem um modelo de pessoa em Jesus Cristo. À luz da revelação, entende esse ser humano como um ser chamado à existência na comunhão com Deus, com as pessoas, com o mundo. Esses elementos que estão presentes na condição humana - da abertura à transcendência e ao outro, a fraternidade, o respeito, a justiça, a construção da sociedade - são fundamentais para pensar que tipo de homem eu quero formar, um homem que é um ser humano integral. As dimensões da transcendência, do compromisso sócio-político e com a vida social, da dinâmica do trabalho, da construção da cultura, a dimensão da afetividade, da sexualidade, da família, todos esses elementos compõem a pessoa humana, e a educação não pode desconsiderar. Fala-se em uma educação mais pragmática, muito tecnicista. Eu preciso formar o homem técnico, preciso ter um excelente técnico para a área da informática. Sim, mas a pessoa não se esgota na capacidade técnica, que é muito importante e fundamental para o crescimento da sociedade, mas ela, como ser humano, tem outras demandas pessoais, interiores, que a educação precisa tratar. A relação com as pessoas, a construção de relações nas quais os valores da justiça, da verdade estejam presentes. Essa pessoa tem sede Deus, é chamada a exercer sua dimensão afetiva. A educação, mesmo preparando um excelente profissional da informática, também trabalha esses outros itens.

 

Diante do Estado Laico, qual deve ser a posição das escolas católicas?

Dom João Justino - Existe uma identidade da escola católica. Pedagogicamente, ela deve ser um espaço onde a fé cristã se faz presente. Naturalmente não é o lugar para se fazer proselitismo religioso. Mas até isso poderíamos supor: que alguém, não sendo católico, estando numa escola católica, seja capaz de perceber como é a visão cristã-católica e sentir-se atraído. Uma escola católica em que esse elemento da identidade cristã esteja enfraquecido se torna uma escola como as outras.

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