Coordenadora do Conselho Nacional de Leigos do Brasil fala sobre Ano do Laicato

No próximo dia 26 de novembro, Solenidade de Cristo Rei, a Igreja Católica no Brasil inicia o Ano Nacional do Laicato. Os principais objetivos desse período é celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e aprofundar sua identidade, vocação, espiritualidade e missão.

 

Em entrevista, a coordenadora do Conselho Nacional de Leigos do Brasil (CNLB) do Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Edi Rossi Pradier, destaca que o Ano do Laicato é uma oportunidade de evangelização em conjunto. "Faço um chamado muito afetuoso para nossos bispos, presbíteros, religiosos, leigos e leigas para olhar este Ano do Laicato com olhos de quem quer ver mais além e fazer mais pelo Reino de Deus", afirma. Leia a entrevista completa:

 

Para o Conselho Nacional de Leigos do Brasil do Regional Sul 3, o que significa o Ano do Laicato?

Este ano é para refletir sobre a nossa vocação de leigo e leiga, pois além da nossa vocação especial de ser humano, o dom da vida, temos uma vocação especial para trabalhar pelo Reino. Na Igreja há a vocação religiosa, sacerdotal e a nossa vocação laical. Somos sujeitos na Igreja e na sociedade para promover o reino que nós acreditamos e fomos inseridos pelo batismo. No Regional queremos fazer atividades conjuntas com todas as forças que atuam na Igreja e na sociedade em defesa vida e da dignidade.

 

Como o Conselho de Leigos tem pensado as ações no Regional?

Para o primeiro semestre de 2018 pretendemos intensificar seminários para estudo sobre a vocação e missão do leigo na Igreja e na sociedade. Em agosto queremos fazer uma grande assembleia regional. O Documento 105 da CNBB nos dá assuntos para serem aprofundados e, principalmente, vivenciados, como, por exemplo, a criação de conselhos de leigos e leigas nas dioceses e paróquias.

 

Qual a novidade do Documento 105?

Primeira novidade é a missão de trabalhar pelo reino dentro e fora da Igreja. Segunda, o leigo como sujeito que participa de todas as etapas de um planejamento de pastoral. Participa no pensar, elaborar, executar e avaliar tudo com as demais vocações (religiosos e ordenados). O leigo vive imerso na sociedade. A terceira novidade é a sugestão dos próprios bispos em Assembleia Geral, quando afirmaram a necessidade de criar os conselhos de leigos e leigas nas dioceses e paróquias.

 

O leigo é consciente de sua vocação e missão?

Isso depende das oportunidades que são oferecidas e aproveitadas para sua formação. Mas quando o leigo encontra espaço e tempo para refletir sobre sua vocação ele percebe que isso não o engessa ou retém, mas o liberta. Há a necessidade de atingir muitos leigos e leigas, pois na medida que vão abrindo-se para a conscientização, ele percebe o quanto é linda sua missão e vocação.

 

A falta de formação é um problema para a Igreja? Como resolver?

Dando oportunidades para que cada vocação se encontre e se realize. Essa formação precisa começar de uma forma ampla. Não só a vocação que cada um tem, mas a vocação de todos os carismas existentes. Um exemplo, um rapaz que está no seminário é um leigo. Ele não deixa de ser leigo ao fato se ser um candidato ao ministério ordenado. É importante que desde o tempo da formação para o caminho ordenado ou consagrado seja retomada a vocação ampla na Igreja. Depois cada um vai trabalhar com leigos e leigas. Se a formação for aberta ele irá entender que a construção do reino se dá pela vocação de cada um trabalhando juntos. Nós leigos não podemos ficar apenas aprofundando a nossa vocação; precisamos conhecer a vocação e missão dos religiosos e ordenados.

 

* Jornalista - Regional Sul 3 da CNBB

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