Patrística e Concílio Vaticano II marcaram o segundo dia do Congresso de Teologia

09.10.2019

No segundo dia do II Congresso Internacional de Teologia, realizado na PUC-RS nos dias 7, 8 e 9 de outubro, destacaram-se as conferências "Aspectos patrísticos da santidade na Gaudete et exsultato", apresentada pela Profa. Dra. Maria Rodica Tutas, romena, monja eremita, e "Perspectivas sobre a santidade a partir do Concílio Vaticano II", apresentada pela Profa. Dra. Margit Eckholt, alemã. 

 

A Profa. Dra. Maria Rodica Tutas é doutora em Ciências Eclesiásticas Orientais pelo Pontifício Instituto Oriental,
em Roma (2010), com tese em Patrística. Iconógrafa. Professora na Faculdade de Teologia da Arquidiocese de Brasília, no Instituto São Boaventura de Brasília e Professora de Patrística no Instituto Redemptoris Mater.

 

A Profa. Dra. Margit Eckholt é Doutora em Teologia Sistemática pela Universidade de Tübingen. Professora ordinária de Teologia Dogmática e Fundamental na Universidade de Osnabrück. É Presidente do Intercâmbio Cultural Alemão Latino-americano
(ICARA).

 

Leia, abaixo, os resumos das conferências:

 

Aspectos patrísticos da santidade na Gaudete et exsultate – Santidade e responsabilidade pública uma visão a partir da Patrística e GE.

 

(Texto do seminarista Marcus Ceratti)

 

A irmã Ângela iniciou citando Edith Stein sobre a santidade: “A vocação do cristão é a santidade, e sua missão de vida consiste em alçar-se das profundezas do pecado”. Sua fala foi dividida em três partes:

  1. O testemunho de santidade em tempos recentes dos 7 bispos romenos por resistirem às ideologias marxistas, leninistas e estalinistas (junto a mais de 25 sacerdotes)

  2. A santidade e responsabilidade pública com repercussão na vida eclesial e refutação das heresias

  3. O dinamismo da santidade na vida cristã e seu reflexo na sociedade

Suas viagens pelo mundo tornaram possível a reflexão da santidade nos tempos atuais e relatou uma estranha constatação: numa Igreja que se diz Católica, admira o interesse por ideologias marxistas e espiritualidades disfarçadas de comunismo. Nesse contexto, os dons e carismas são sufocados e não são colocados a serviço dos irmãos.

 

Partilhou a experiência da Romênia, sua terra natal, quando enfrentou regimes totalitaristas do comunismo, socialismo, ateísmo e o Partido Comunista Romeno (Partidul comunista Român). Trouxe o testemunho de sete Bispos martirizados in odium fidei nos diversos lugares da Romênia entre 1950 e 1970, canonizados pelo Papa Francisco, em 19 de março deste ano.

 

No início, os próprios mosteiros e igrejas foram transformados em campo de concentração e lá sofreram longas torturas psicológicas e foram submetidos ao frio, miséria e fome. Por decreto, em 1948 se extinguiu a Igreja Greco-Católica, exigindo aos Bispos católicos através de torturas psicológicas, que negassem o catolicismo, renunciassem ao Papa e aderissem à Igreja Ortodoxa. A resposta dos bispos foi “nós preferimos a morte, mas não aceitamos”. Todos permaneceram firmes na fé.

 

Como a santidade e responsabilidade pública se expressa na vida deles? Pela fidelidade ao projeto divino; testemunho de fé e de fidelidade a Igreja de Jesus Cristo e ao sucessor de Pedro.

 

A santidade transcende a história e o tempo, possui uma dimensão eterna. Eles morreram por dar testemunho da fé católica.

A santidade de Deus se revela desde o início na sagrada escritura e tem seu ápice em Jesus Cristo. O homem tem por vocação a santidade. A santidade é o projeto divino para todas as formas de vida cristã.

 

Tanto hoje quanto nos primórdios do cristianismo, o cristão ou se torna santo ou corrupto, pois antes de ser organização social, a vida religiosa é realidade espiritual, carismática e caritativa. Familiarizados com pensamentos, os frutos e as obras do Espírito Santo.

Papa Francisco ressalta que facilmente se pode procurar a segurança interior no sucesso, prazer, riqueza, domínio sobre os outros.

Recentemente o atual magistério tem dedicado especial atenção ao tema da santidade, o que tendo seu ápice na GE onde teologia e santidade são binômio inseparável.

 

A santidade é um caminho na vida do homem. O processo da santidade é obra divina da Graça. Irineu de Lião: o homem é criado à imagem, mas é na vida espiritual que desenvolve a semelhança com Deus. Teologia da divinização: foi criado para esse destino, se tornar divino. A santidade tem tudo a ver com a vida sacramental onde o cristão alimenta sua espiritualidade.

 

Na patrística, vários são os exemplos: Ambrósio, Antão do Deserto... não podemos separar a Doutrina Social da Igreja da santidade. Uma vida social sã é reflexo da santidade. Até o eremita sai do seu eremitério e quando vai à cidade defender a fé e refutar o Arianismo acontecem várias curas e milagres (Antão).

 

Um ativismo infrutífero é um perigo na Igreja. Muitos padres se dão conta pois acabam caindo na depressão. Permanecer no dinamismo do amor divino, trinitário. Todo Cristão deve descobrir o seu caminho de santidade.

 

Hoje na Igreja se vive um ativismo desenfreado: seus líderes parecem evangelizar através de eventos. A avareza e o comunismo devastaram a vida na Igreja. Na GE a santidade é feita de abertura habitual a transcendência que se expressa na vida de oração! “Não acredito na vida de santidade sem oração” (Papa Francisco).


 

Perspectivas sobre a santidade a partir do Concílio Vaticano II

 

(Texto do seminarista Charles Kermaunar)

 

A teóloga alemã Margit Eckholt conduziu a segunda conferência do dia que tinha por objetivo tratar das perspectivas sobre a santidade a partir do Concílio Vaticano II. O pensamento conciliar, na visão de Eckholt, entende a santidade como “um chegar a ser cristão” e um “familiarizar-se com as dinâmicas da fé”. O Papa Francisco faz uma releitura do Concílio Vaticano II, em especial das Constituições Lumen Gentium e Gaudim Et Spes, a fim entender o caminho do cristão para a vivência da santidade em meio às fraturas da contemporaneidade.

 

“É preciso estar atento à dignidade da pessoa humana, especialmente, nos locais onde ela é vilipendiada”, ressaltou a teóloga alemã. O caminho das bem-aventuranças, trilhado pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica Gaudete Et Exsultate (nºs 63 – 94; 109), foi apontado como o eixo central de sua compreensão acerca da Igreja como “caminho” no tempo, também ela chamada à conversão ao fundamento da fé.

 

Para a teóloga, a Exortação Apostólica Gaudete Et Exsultat, foi pouco compreendida na Alemanha. Na América Latina, porém, a Igreja parece estar mais atenta a não se submeter a um autocentrismo e eclesiocentrismo. O tempo presente da história exige da Igreja conversão, pois, o “Cristo - luz dos povos” precisa resplandecer como dinâmica interior também na vida da Igreja, a fim de que ela possa exercer sua missão de anunciar o Evangelho, testemunhando Cristo, assim como Cristo testemunha o Pai. A partir dessa conversão, a Igreja pode cumprir  com o envio que recebeu a santificar o mundo, na ótica do Reino de Deus: realidade que transforma. É preciso, portanto, transformar a realidade com a prática de Jesus e conformar-se  Ele, a fim de que os membros de seu corpo místico resplandeçam sua santidade, mesmo em meio às fragilidades e vulnerabilidades, pois, o Espírito Santo sustenta a Igreja nesse caminho.

 

Assim sendo, a conversão e o chamado à santidade são um dever de todo fiel cristão, esteja ele exercendo seu sacerdócio comum ou ministerial. Para a teóloga, o Concílio Vaticano II acertou em retomar a consciência do sacerdócio comum, típico do cristianismo primitivo, imprimindo a comum dignidade e tarefa na edificação do Corpo de Cristo (AA 5).

 

A Igreja dos santos a caminho, do centro à periferia, e, desde ali novamente ao centro imprime uma “mística do caminho”, na ótica da salvação. O novo estilo de vida - configurado pelo batismo - é a grande inspiração da Exortação Apostólica Gaudete Et Exsultat, retomada mais 50 anos após o Concílio Vaticano II. Tal estilo pode ser vivido mesmo em meio à liquidez e pluralidade deste tempo histórico, com alegria e espírito sinodal, sob uma ótica missionária e servidora, apoiando-se no discernimento a fim de comunicar a boa nova de Cristo. 

 

Leia também o que foi discutido no primeiro e no segundo dia do Congresso.


Abaixo, algumas imagens do segundo dia do Congresso:

(Fotos de Marto Vilaza)

 

 

 

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