Assembleia do Clero: último dia do encontro discutiu proteção do menor

15.11.2019

A Assembleia do Clero da Arquidiocese de Porto Alegre reservou o terceiro e último dia para debates sobre as novas determinações da Igreja sobre abusos sexuais cometidos por clérigos e religiosos, e às ações ou omissões dos bispos e dos superiores religiosos. A condução dos trabalhos ficou a cargo de Dom José Aparecido Gonçalves de Almeira, bispo auxiliar de Brasília e membro da Comissão Especial de Proteção da Criança e do Adolescente, da CNBB. As novas diretrizes estão no motu proprio do Papa Francisco “Vos estis lux mundi”, publicado em maio deste ano, e que estabelece novos procedimentos para denunciar moléstias e violências, e garantir que bispos e superiores religiosos prestem contas de seu trabalho.

 

(Créditos: Nelson Pereira) 

Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Santa Cruz, em Roma, Dom José Aparecido iniciou sua apresentação discorrendo sobre a evolução do pensamento da Igreja Católica sobre a temática dos abusos sexuais a menores, passando pelo Concílio Vaticano II e aos grandes avanços promovidos pelo papa emérito Bento VXI sobre o assunto. “A sensação de impunidade dentro da Igreja era maior do que na sociedade civil. O então papa Bento XVI pediu a revisão desta postura, determinando a condução dos casos sempre via judicial e aumentando as penas para limpar a Igreja”, contou.

 

Mesmo dando exemplos de que é preciso ter misericórdia com os irmãos padres, diáconos e bispos, Dom José Aparecido fez questão de deixar clara uma postura enérgica com a qual é preciso lidar com os casos. “O delito não é uma coisa acidental. Normalmente, é uma voracidade que gera uma vítima atrás da outra”, afirmou ele. “Jesus convidava a ir a ele as criancinhas. Não é possível que um homem que dedicou a sua vida ao ministério ordenado cause um mal tão repugnante a elas”.

 

Sobre a ponderação de que não são apenas os padres os causadores de tal mal na sociedade, o bispo de auxiliar de Brasília foi enérgico. “Sabemos que, proporcionalmente, há mais casos de abusos de menores e pedofilia na sociedade. Assim mesmo, isso não justificaria mesmo que fosse um só caso de um religioso em todo o mundo”.

 

 

Iniciativa na Arquidiocese

 

Entre as orientações do novo documento “Vos estis lux mundi”, está a obrigatoriedade, para todas as dioceses, em todos os países, de implantar, até junho de 2020, programas e canais que facilitem denúncias a respeito dos abusos sexuais cometidos por clérigos e religiosos, o uso de material pornográfico infantil e o acobertamento dos próprios abusos. Atendendo a este pedido do Papa Francisco, o padre Fabiano Schwanck Colares, pároco da paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, está liderando um Grupo de Trabalho para a constituição da Comissão Arquidiocesana para a tutela de menores. O Grupo está formado, entre outros, por padres, profissionais da saúde, Polícia Civil e Ministério Público. “Esta Comissão será uma estrutura investigativa e de encaminhamento, e local de formação para promover capacitação e prevenção para salvaguardar a sacralidade dos menores”, explicou o padre Fabiano. “E queremos fazer tudo isso chegar em cada paróquia”, concluiu.

 

Uma das referências para o trabalho é a Diocese de Boston, nos EUA. “Esta tenha sido a região em que a Igreja mais sofreu com escândalos sexuais de menores e pessoas vulneráveis em toda a história. Atualmente, depois de um longo percurso de aprendizado e reconstrução, a Diocese local é referência para a sociedade civil em todo o país pelo trabalho que realiza nesta área”, explicou o padre.

 

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